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sexta-feira, 24 de agosto de 2012

CONCEITOS FUNDAMENTAIS


CONCEITOS FUNDAMENTAIS Como este trabalho versa sobre as doutrinas que minam o alicerce da Igreja Cristã Pós-moderna, faz-se necessário uma abordagem mais detalhada sobre alguns conceitos e elementos que serão esclarecedores para um bom entendimento do presente trabalho, dentre eles: doutrina; verdade; diferenciação de verdade relativa e verdade absoluta; verdade inerrante; atributos de Deus. 2.1 Em busca do conceito de Doutrina De acordo com o Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa (1999, p. 707), o vocábulo doutrina é originário do latim doctrina e significa conjunto de princípios que servem de base a um sistema religioso, político, filosófico, científico, etc. No campo teológico, definir doutrina não se constitui tarefa nada fácil, visto que este conceito é muito confundido com o conceito de dogma, no entanto, ambos possuem definições distintas. Russel (1991, p. 228) define doutrina da seguinte forma: Essa palavra significa ensino. Vem do latim, doctrina, cuja forma verbal é docere, ensinar. O termo tem um sentido geral, podendo referir-se a qualquer tipo de ensino, como também pode indicar algum ensino específico, como a doutrina da salvação. Também pode envolver as idéias de crença, dogma, conceito ou princípio fundamental ou normativo por detrás de certos atos. Esse vocábulo traz imediatamente às nossas mentes idéias e ensinamentos religiosos, porque usualmente é assim que o ouvimos ser dito. Depreende-se do exposto que a doutrina, embora de forma ampla designe qualquer tipo de ensino, de modo mais específico constitui-se o embasamento teórico que ira fundamentar a existência de qualquer entidade, seja de natureza religiosa ou política ou filosófica ou científica, etc. Dogma, visto de forma ampla, é o termo utilizado para designar verdades indiscutíveis nas áreas da ciência, da filosofia, etc. Veja o que Olson (2001 , p. 17) expõe sobre o assunto: A palavra “dogma" se deriva do termo grego dokein, o qual, na expressão dokein moi significa não só “parece-me” ou “agrada-me”, mas também “determinei definidamente algo de modo que para mim é fato estabelecido”. “Dogma” chegou a designar uma firme resolução ou um decreto, especialmente de forma pública. Era termo aplicado a verdades indiscutíveis da ciência, a convicções filosóficas que são tidas como válidas, a decretos governamentais e a doutrinas religiosas oficialmente formuladas. Assim, observando-se de modo mais acurado, pode-se perceber que o dogma realmente é o conjunto de verdades indiscutíveis, assim como a doutrina, no entanto, diverge desta, pois, enquanto naquela suas verdades são resultantes da formulação de alguma instituição, quer de caráter religioso, filosófico, científico, etc; este não, nada mais é do que uma verdade que se estabelece por si mesma, sem que alguém precise determiná-la como verdade. Observe o que diz Olson (2001, p. 17) sobre o exposto: Embora a palavra “dogma” algumas vezes seja usada na religião e na teologia com sentido amplo, sendo praticamente sinônimo de “doutrina”, geralmente tem um sentido mais restrito. Doutrina é a expressão direta, às vezes ingênua, de uma verdade religiosa. Não é necessariamente formulada com precisão científica, e mesmo quando o é, pode ser meramente a formulação de uma só pessoa. Um dogma religioso, por sua vez, é uma verdade religiosa baseada sobre autoridade, oficialmente formulada por qualquer assembléia eclesiástica. Portanto, do exposto acima, depreende-se que a doutrina é a expressão direta de uma verdade que no presente trabalho, por ser de caráter teológico, seria religiosa; no entanto, de modo mais amplo, pode-se subtender que estas verdades podem ser também de caráter filosófico, científico, etc; enquanto o dogma são verdades estabelecidas por quem tenha autoridade para fazê-lo. 2.2 Conceito de Verdade O conceito de verdade pode ser abordado de acordo com diferentes perspectivas. Dentre algumas dessas inúmeras abordagens, convém ressaltar as definições expressas pelo dicionário, pela filosofia e pela bíblia. De acordo com o Novo Aurélio (1999, p. 2060), o vocábulo verdade vem do latim veritate que significa: “1. Conformidade com o real; exatidão, realidade. 2. Franqueza, sinceridade. 3. Coisa verdadeira ou certa. 4. Princípio certo. 5. Representação fiel de alguma coisa da natureza. 6. Caráter; cunho.”[...] Do ponto de vista filosófico, a idéia de verdade está vinculada a própria filosofia, portanto tenta definir a verdade de acordo com quatro teorias, quais sejam: teoria da coerência, teoria pragmática, teoria da realização, e a teoria da correspondência. A teoria da coerência da verdade exprime que para que uma proposição seja considerada verdadeira faz-se necessário analisá-la em consonância com as demais declarações do sistema. Geisler e Feinberg (2002, p. 186) afirmam que: Segundo a teoria da coerência da verdade, uma declaração (alguns filósofos preferem a palavra juízo) é verdadeira se, e somente se, é coerente ou consistente com as demais declarações do sistema. Cada declaração do sistema é relacionada com todas as demais declarações por implicação.[...] Assim, nenhuma declaração pode ser considerada verdadeira se for descontextualizada, portanto, para que uma proposição seja considerada verdadeira tem que estar coerente com as demais declarações, pois uma proposição implica na outra. Já a teoria pragmática é aquela que para considerar algo como verdadeiro leva em consideração a relação entre aquilo que é considerado verdadeiro e a prática, ou seja, a verdade seria resultado do método experimental e, portanto, aceito pela comunidade científica. Geisler e Feinberg (2002, p. 189) expõem que: Peirce procurava relacionar a verdade com práticas observáveis; seu modo de entender a verdade estava em contradistinção com o de Descartes. [...] Peirce chamava sua abordagem de pragmatismo, e argumentava em prol de uma compreensão pública da verdade. Não se podia conceber da verdade à parte do seu relacionamento prático com dúvidas e crenças dentro do arcabouço da pesquisa humana.[...] A verdade é a conseqüência do método experimental, e será finalmente concordada pela comunidade científica. De acordo com essa teoria, o homem busca a verdade na prática, já que, na perspectiva de Peirce, a verdade surge como resultado dos experimentos científicos, pois a experiência é fundamental para a compreensão da verdade. No entanto, sua visão divergia da de Descartes, visto que este, por sua vez, acreditava no subjetivismo de que a verdade era resultado de uma idéia clara. A teoria do desempenho da verdade é aquela em que a pessoa ao declarar que algo é verdadeiro não está fazendo uma afirmação, mas está apenas concordando com o que está sendo declarado. Geisler e Feinberg (2002, p. 192) postulam que: Argumentava que “verídico” é uma expressão de desempenho. Ao empregar uma definição de desempenho a pessoa não está fazendo uma declaração mas, sim, desempenhando uma ação. Segundo Strawson, ao prefixar uma declaração com: “É verdade que...” não estamos fazendo um comentário sobre a declaração, mas, sim, concordando com, aceitando, ou endossando a declaração. Dizer que “É verdade que o céu é azul” não é dizer nada mais do que “Concordo que o céu é azul.” É possível inferir do exposto que essa concepção de verdade não é resultado de expressões descritivas, pois resulta da aceitação de algo que foi dito, ou seja, a verdade seria resultado do endosso de determinada declaração como verdadeira. A teoria da correspondência da verdade afirma que a verdade é resultado da correspondência entre o que se declara ou se acredita como verdadeiro com os fatos da realidade, como expressam Geisler e Feinberg (2002, p. 194): “A teoria da correspondência da verdade sustenta que a verdade consiste nalguma forma de correspondência entre uma crença ou uma frase, e um fato ou um estado de coisas.” Na perspectiva bíblica, a verdade é o próprio Deus, que se manifesta pela sua palavra, bem como pela encarnação de seu próprio filho. No Antigo Testamento, “Deus é a verdade” como está explícito em Deuteronômio 32.4 e também a “Tua lei é a verdade”, Salmo 119.142. No Novo Testamento, “Disse Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida.” em João 14.6. MacArthur (2008, p.21) afirma sobre o assunto: Uma perspectiva bíblica da verdade também envolve, necessariamente, o reconhecimento de que a verdade absoluta é uma realidade objetiva. A verdade existe fora de nós e permanece inalterável, independentemente de como a percebemos. A verdade, por sua própria natureza, é tão fixa e constante quanto Deus é imutável. Porque a verdade pura (que Francis Schaefer chamava de “verdade verdadeira”) é a expressão inalterada e imutável de quem Deus é; não é a nossa própria interpretação pessoal e arbitrária da realidade. Diante do exposto, depreende-se que o conceito bíblico é absoluto, visto que não é possível dissociar-se a verdade de Deus, já que Ele é a própria verdade, portanto rejeitar as verdades bíblicas é rejeitar o próprio Deus, pois a sua palavra é a manifestação de Deus, que é a verdade, aos homens. Já nos conceitos filosófico e semântico de verdade, observa-se uma verdade relativa, pois para a filosofia a verdade adquire diferentes roupagens de acordo com as diferentes concepções do que é verdadeiro e do que é falso, enquanto no campo semântico a verdade também assume seu caráter de adequação a realidade, visto que a verdade vai variar de acordo com a realidade. Diante do exposto, faz-se necessário uma abordagem mais detalhada de verdade absoluta e relativa, que será realizada a seguir. 2.2.1 Verdade Absoluta e Verdade Relativa Nos últimos três séculos, a verdade deixou de ser absoluta e passou a ser relativa, visto que esta resulta da constante evolução humana. Gonzalez (2004, p. 26) afirma sobre o assunto: Segundo, poderíamos dizer que toda verdade é relativa, que não há tal coisa como verdade absoluta entre os seres humanos. Este conceito de verdade tem estado em moda nos últimos dois ou três séculos, resultado dos enormes desenvolvimentos nos estudos científicos e históricos que nos têm feito conscientes da relatividade de todo conhecimento humano. De acordo com essa perspectiva, toda verdade deve ser considerada relativa, visto que a ciência vive em constante progresso e, portanto, nenhum conhecimento humano pode ser considerado absoluto, pois sofre constante evolução a medida que a ciência aprofunda seus estudos com o passar dos anos. Levando-se em consideração o contexto histórico, já que este trabalho aborda as doutrinas que imergiram na igreja pós-moderna, a queda do muro de Berlim marcou a repentina decadência da era Moderna. Quase que na sua totalidade, conceitos dogmáticos e pontos de vista modernos tornaram-se obsoletos ou ultrapassadas em quase todos os níveis culturais. Até a verdade sofreu uma influência danosa na cultura pós-moderna, pois o relativismo tornou-se o cerne da concepção da verdade. MacArthur (2008, p. 41) ressalta sobre o exposto: A preferência que o pós-modernismo tem pela subjetividade, acima da objetividade, torna-o inerentemente relativista. Naturalmente, o pós-modernista tem aversão por absolutos e não quer reconhecer qualquer verdade que pareça axiomática ou auto-evidente. Pelo contrário, a verdade, quando é, de algum modo, reconhecida, torna-se infinitamente flexível e, em última análise, incapaz de ser reconhecida em algum sentido objetivo. O pós-modernismo assinala, portanto, um grande triunfo do relativismo – o conceito de que a verdade não é fixa e objetiva, e sim algo determinado pela percepção exclusiva e subjetiva de cada pessoa. Tudo isso é, conclusivamente, uma tentativa inútil de eliminar da vida humana a moralidade e a culpa. Portanto, o pós-modernismo reconhece a verdade como relativa, visto que tem preferência pela subjetividade, no entanto, recusa-se a aceitar qualquer verdade como absoluta, tornando-se, assim, o período do relativismo, pois para eles a verdade é flexível, incapaz de ser vista como fixa e objetiva. Diante de tudo que foi exposto acima, pode-se perceber que na pós-modernidade o conceito de verdade absoluta está sendo desprezado, já que há uma relativização da verdade, pois este conceito é sempre analisado da perspectiva subjetiva, portanto, a verdade absoluta é rejeitada, embora seja composta de preceitos considerados universalmente incontestáveis. 2.2.2 Verdade Inerrante A Bíblia é considerada verdade inerrante, embora a inerrância das escrituras seja muito mal compreendida e muito atacada. O grande problema que se percebe é que a inerrância é negada para dar vazão a sérios desvios doutrinários. Ao negar-se a inerrância da Bíblia aparecem desvios doutrinários como: negação da queda de Adão e da experiência de Jonas; tentativa de explicação racional de alguns milagres; uma visão liberal do divórcio, da homossexualidade, do adultério; análise da Bíblia de acordo com a psicologia moderna, dentre outros. O vocábulo inerrância significa ausência de erros. A Bíblia é considerada inerrante, visto que diz a verdade, não necessariamente porque seja isenta de erros, pois nela contém citações livres, linguagem figurada, narrativas diferentes do mesmo evento, aproximações, mas o importante é que ela não se contradiz em seus relatos. Ryrie (2004, p. 91) relata o seguinte: A maioria dos debates sobre verdade e erro perdem-se quando se tornam filosóficos e deixam de ser realistas. A maioria das pessoas entende de forma clara e fácil que as aproximações, a linguagem figurada, etc. dizem a verdade. A Bíblia é inerrante por afirmar a verdade, e o faz sem erros em todas as partes e em todas as palavras. Assim, se a Bíblia for analisada numa perspectiva filosófica ou cientifica pode-se achar equivocadamente que ela contém erros, no entanto, se for analisada da perspectiva que, independentemente da linguagem utilizada, ela é inerrante, porque ela foi inspirada por Deus, que é a verdade, portanto, a Bíblia é a verdade. Na perspectiva do autotestemunho, ou seja, que a Bíblia testifica de si mesma ser a verdade inerrante, pode-se certificar que ela é plenamente confiável em tudo que afirma, desde que se procure entendê-la dentro de seus próprios moldes. Veja o que Piper et al (2006, p. 293) expõe sobre o assunto: A afirmação do autotestemunho das Escrituras é importante por, no mínimo, duas razões. Em primeiro lugar, não nos achegamos à Bíblia e fazemos dela algo que não diz ser. Não lhe conferimos uma autoridade que ela mesma não declare possuir. Em vez disso, é ela que se aproxima de nós, trazendo consigo seu próprio autotestemunho ou autoconfirmação, ou seja, ela é nada menos que a Palavra escrita de Deus e, na condição de ter sido dada pelo Senhor, não apenas possui as marcas da origem divina, mas é também plenamente cheia de autoridade, suficiente e confiável.[...] Logo, pode-se concluir que as Escrituras, embora utilizem uma linguagem que não condiz com a linguagem científica, dão autotestemunho de sua veracidade, ou seja, confirmam que são a própria Palavra de Deus escrita, portanto sua autoridade divina a torna confiável. 2.2.3 Atributos de Deus Segundo Joiner (2007, p. 47), “O termo Atributos de Deus” quer dizer os diferentes aspectos do seu caráter, ou seja, suas qualidades ou perfeições próprias à sua natureza. São chamados atributos porque Deus os atribui a si mesmo, porque são próprios da sua pessoa.” Ryrie (2004, p. 41) afirma que “Atributos são as qualidades inerentes a um sujeito. Elas o identificam, distinguem ou analisam.” Berkhof (2007, p. 41), por sua vez, ressalta que “Todos concordam em que os atributos não são meros nomes sem nenhuma realidade que lhes corresponda, nem partes separadas de um Deus composto, mas sim, qualidades essenciais nas quais o Ser de Deus é revelado e com as quais pode ser identificado.” Depreende-se, portanto, do exposto, que os atributos de Deus são qualidades essenciais inerentes a seu Ser, que Ele atribui a si mesmo, através das quais é possível caracterizá-lo e, principalmente, revelá-lo. Alguns teólogos, como Joiner (2007, p. 49), de modo sucinto, deixam de lado classificações, reúnem em 12 os atributos de Deus, quais sejam: unidade, eternidade, espiritualidade, onisciência, onipotência, onipresença, imutabilidade, sabedoria, verdade, santidade, justiça e bondade. Outros estudiosos do assunto admitem várias classificações para os atributos divinos, no entanto, algumas ganham destaque, são as seguintes: atributos naturais e morais; atributos absolutos e relativos; atributos imanentes ou intransitivos e emanentes ou transitivos; atributos incomunicáveis e comunicáveis. Os atributos considerados naturais seriam aqueles que pertencem à natureza constitutiva de Deus, como auto-existência, simplicidade, infinidade, etc., enquanto os morais seriam aqueles que qualificam-no como um Ser moral, como verdade, bondade, misericórdia, justiça, etc.. No entanto, essa classificação encontra objeções, porque os teólogos afirmam que os atributos morais também são naturais. Os atributos absolutos são aqueles considerados pertencentes à essência de Deus em si mesma, como auto-existência, imensidade, eternidade, etc., enquanto os relativos são aqueles que pertencem à essência divina em relação a sua criação, como onipresença e onisciência. Os atributos intransitivos ou imanentes são aqueles que se expõem e produzem efeitos externos quanto a Deus, como benignidade, justiça, etc., enquanto os transitivos ou emanentes são aqueles que não se expõem nem operam fora da essência divina, como imensidade, eternidade, etc. Os atributos incomunicáveis são aqueles que não existe nada parecido na criatura, como asseidade, imensidade, etc., enquanto os comunicáveis são aqueles com os quais o espírito humano tem algo semelhante, como poder, bondade, misericórdia, retidão, etc. No presente trabalho, abordar-se-á, a seguir, os atributos de Deus, os 12 citados anteriormente, independentemente de classificação, de forma que sirva de embasamento teórico para a compreensão de explicações que são apresentadas nos capítulos subseqüentes. O atributo da unidade significa que só existe um Deus, que é indivisível. Além do que, esse atributo ressalta também a singularidade de Deus, ou seja, que Ele é único, portanto implica dizer que Ele é o único Deus por meio do qual todos os outros seres vieram a existência e, em decorrência disso, existem por meio d’Ele e para Ele, como verifica-se em Efésios 4.6: “Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos.” A eternidade, por sua vez, é o atributo divino que implica que Deus não tem começo nem fim, portanto sua existência é eterna, pois Ele está acima dos limites temporais, visto que Ele é auto-existente, ou seja, nunca foi gerado nem veio a existir. No Salmo 90.2 comprova-se a auto-existência de Deus: “Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus. O atributo da espiritualidade é aquele que exprime que Deus é Espírito, ou seja, que Deus é puramente espiritual, portanto sua existência é distinta da matéria, visto que não possui em seu Ser divino nenhuma característica material, como está expresso em João 4.24a: “Deus é espírito.” Onisciência é um atributo divino que expressa que Deus conhece tudo, ou seja, que esse conhecimento é perfeito e sem restrições, pois Deus sabe todas as coisas reais e possíveis, bem como seu domínio se estende dos céus até a Terra e até ao inferno, portanto seu conhecimento é infinito, como verifica-se em Salmo 147.5 que diz: “Grande é o Senhor nosso e mui poderoso; o seu entendimento não se pode medir.” O atributo da onipotência, por sua vez, significa que Deus tem poder para fazer tudo que lhe apraz, ou seja, Ele é Todo-Poderoso, portanto pode fazer todas as coisas que podem ser feitas, contanto que não seja contrário à sua natureza, como contata-se em Salmo 62.11 que diz: “Uma vez falou Deus, duas vezes ouvi isto: que o poder pertence a Deus.” Onipresença é o atributo que exprime que Deus existe em todo o espaço infinito, ou seja, que Deus está presente em todos os lugares, como afirma Jeremias 23.24b: “Porventura, não encho eu os céus e a terra? – diz o Senhor.” O atributo da imutabilidade significa dizer que Deus não muda em sua essência, em seus propósitos, em seus valores, em seus princípios, ou seja, não pode ocorrer mudança em seu Ser, em sua perfeição, isso, no entanto, não significa que as ações de Deus não possam variar, como está expresso em Malaquias 3.6a: “Porque eu, o Senhor, não mudo.” Sabedoria é o atributo de Deus que exprime o uso correto do conhecimento, ou seja, a sabedoria é a utilização do conhecimento de forma satisfatória, portanto sabedoria e conhecimento não são sinônimos, visto que a sabedoria é a utilização do conhecimento de modo a conseguir os melhores resultados possíveis, como expresso em Provérbios 3.19: “O Senhor com sabedoria fundou a terra, com inteligência estabeleceu os céus.” O atributo da verdade é considerado como veracidade, ou seja, dizer que Deus é a verdade significa incluir a esse conceito as idéias de fidedignidade, fidelidade e coerência, pois afirmar que Deus é a verdade é o mesmo que dizer que Ele é coerente, fiel e fidedigno, portanto Ele é confiável, como descreve João 17.3a: “o único Deus verdadeiro.” Santidade é o atributo de Deus que expressa que Ele é completamente puro, portanto em Deus encerra-se todo princípio de excelência moral, visto que a santidade é inerente a sua natureza divina. Além do mais, a própria palavra santidade significa aquilo que é separado, no caso de Deus é a separação do pecado em virtude de sua santidade, como vê-se em Apocalipse 15.4a: “Pois só tu és santo.” O atributo da justiça é a manifestação prática da retidão, se fez necessário, portanto, que Deus instituísse um governo moral no mundo baseado em leis justas e Ele age de acordo com esses preceitos da moralidade e da justiça prometendo recompensa aos que os obedecerem, como lê-se em Salmo 89.14a: “Justiça e direito são o fundamento do teu trono.” A bondade é um atributo de Deus que abrange a misericórdia, a longanimidade, a beneficência e o amor, portanto a misericórdia de Deus é a manifestação de sua bondade e de seu amor, visto que Deus deseja a felicidade para suas criaturas. Berkhof (2007, p. 68) afirma que: [...]“em nossa atribuição de bondade a Deus, a idéia fundamental é a de que ele é, em todos os aspectos e por todos os modos, tudo aquilo que deve ser como Deus, e, portanto, corresponde perfeitamente ao ideal expresso pela palavra “Deus”.” Assim, Deus é a própria expressão da bondade, como percebe-se em Marcos 10.18b que diz: “Ninguém é bom senão um, que é Deus.” Além desses 12 atributos expostos acima de acordo com a classificação de Joiner, faz-se necessário mencionar também um atributo de suma importância para este presente trabalho que é o da soberania. A soberania é o atributo divino que expressa a magnitude de Deus, visto que Ele é o Ser supremo do universo. Isso significa dizer que Deus está revestido de autoridade absoluta sobre sua obra criadora, ou seja, o céu, a Terra e tudo o que eles contêm lhe pertencem, como constata-se em Salmo 135.6: “Tudo quanto aprouve ao Senhor, ele o fez, nos céus e na terra, no mar e em todos os abismos.”

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