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sexta-feira, 31 de agosto de 2012

O SALVO PODE DESVIAR-SE E FICAR PELO CAMINHO?

Esse trabalho não foi elaborado com a finalidade de confirmar nem contradizer qualquer conceito de alguém que tenha uma opinião formada sobre esse assunto, mesmo porque não se constrói doutrina sobre aquilo que não se possa comprovar. O ato da salvação em si não é algo visível aos olhos humanos e sim um segredo divino, somente Deus perscruta o profundo e o escondido de cada coração, portanto só Ele conhece antecipadamente os salvos que serão realmente salvos e os perdidos que com certeza serão perdidos, independente da avaliação
humana. Com toda a certeza uma coisa nós podemos provar através da revelação das Escrituras é que: Um homem que vive 99,99 por cento da sua vida longe de Deus e praticando toda a impiedade, pode sim ser salvo. “Um dos malfeitores crucificados blasfemava contra Ele, dizendo: Não és tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós também. Respondendo-lhe, porém, o outro repreendeu-o, dizendo: Nem ao menos temes a Deus, estando sob igual sentença? Nos na verdade com justiça, porque recebemos o castigo que os nossos atos merecem; mas este nenhum mal fez. E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino. Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso”. Lucas 23: 39-43. Podemos perceber que 0,1 por cento de vida foi o bastante para que aquele homem fosse salvo, embora saibamos que ele havia sido escolhido por Deus antes da fundação do mundo. Conforme o que foi exposto e não querendo contradizer aqueles que defendem a concepção de que “uma vez salvo sempre salvo”, a verdade é que não podemos afirmar a mesma coisa quantos aos perdidos de que uma vez perdido sempre perdido. Aos nossos olhos humanos este homem passou a vida toda entre os que nós consideramos perdidos. Então; por que o salvo que em toda a sua vida buscou sinceramente fazer a vontade de Deus, que com esforço procurou andar em justiça, e retidão se desviar da fé a recíproca tem que ser diferente? Na epístola do apóstolo Paulo a Timóteo, o mesmo apresenta ao seu filho na fé seis exemplos de como algumas pessoas que alcançaram a verdadeira fé em Cristo podem em algum instante da caminhada desviar-se dela. Em primeiro lugar Paulo diz que o propósito da epístola é advertir sobre três pontos fundamentais para que nos mantenhamos seguros da nossa fé. (1) O amor deve ser puro e ele só é puro quando procede de um coração puro. (2) Colaborando com o amor de um coração puro, o amor deve advir de uma boa consciência e uma boa consciência é uma consciência viva, aquela que nos adverte sempre do que é certo e do que é errado. (3) E o amor também deve proceder de uma fé sem hipocrisia e uma fé sem hipocrisia é uma fé onde não existe fingimento, uma fé leal e inabalável. Paulo afirma que o resultado daqueles que se desviaram dessas advertências “perderam-se”. 1 Tm. 1: 5 e 6. Em segundo lugar Paulo exorta a Timóteo que confirme através da boa luta, as profecias das quais ele foi o alvo anteriormente mantendo para isso duas coisas fundamentais: (1) Preservando sempre a verdadeira fé. (2) E mantendo a boa consciência. Vemos que o apóstolo Paulo voltou a reforçar a advertência sobre esses dois importantes fundamentos; fé e consciência. Em seguida Paulo assegura que alguns tendo rejeitado a ouvir a voz da boa consciência “naufragaram na fé”. 1 Tm. 1: 18 e 19. Em referência a afirmação do apóstolo Paulo quanto a aqueles que se perderam ao desviarem-se das suas advertências; alguns como de costume irão contestar com afirmações segundo as quais, os que se perderam seriam os que realmente não estavam incluídos entre os salvos. No primeiro exemplo isso não tem relevância, embora existe a máxima de que só se perde o que é verdadeiro e o que realmente existe. Mas o que dizer quando Paulo usa a metáfora de um navio. Como se contestar ou conceber alguém naufragar se não está realmente dentro do navio. Expliquem-me como naufragar na fé sem estar navegando dentro dela? Em terceiro lugar Paulo não faz nenhuma advertência, porém asseverava que naquele tempo algumas pessoas estavam obedecendo a espíritos enganadores e a ensinos de demôníos e o Espírito Santo afirmava expressamente que estas pessoas tinham apostatado da fé. “1 Tm. 4: 1”. Quanto a apostatar da fé não tem o que se comentar. Em quarto lugar Paulo faz advertências especiais a um grupo específico de pessoas, as mulheres viúvas mais novas. Quando ele diz quero que se casem, criem filhos, sejam boas donas de casa é uma recomendação pessoal dele para que as mesmas não dêem oportunidade ao adversário de difamá-las e complementa que: “com efeito, já algumas se desviaram, seguindo a Satanás”. 1 Tm. 5: 14 e 15. Quando elas se desviaram para seguir a Satanás, deixaram a primeira fé para seguir a um outro senhor, pois não se pode servir a dois senhores. Em quinto lugar Paulo faz uma advertência quanto à busca desenfreada pala riqueza e as suas consequências. Ele afirma que aqueles que se lançam nessa proeza estão sujeitos a caírem em tentações, ciladas, e muitas concupiscências pelas quais os homens se afogam na ruína e na perdição. Paulo considera o amor ao dinheiro como a raiz de todos os males e continua dizendo que alguns na cobiça ao dinheiro “desviaram-se da fé”. 1 Tm. 6: 9 e 10. A Bíblia aponta muitos exemplos de como não só o amor ao dinheiro, mas o amor a tudo o que ele pode adquirir tem desviado o homem do caminho da salvação. Mt. 19: 16 – 23. Em sexto lugar Paulo termina os seis exemplos com três advertências diretas a Timóteo e que servirão como segurança para a sua responsabilidade pessoal. (1) A recomendação para que Timóteo guarde tudo aquilo que lhe foi entregue em confiança por Paulo. (2) O pedido para que Timóteo evite os falatórios desnecessários e profanos. (3) E também para que Timóteo fuja do que falsamente se chamam as contradições do saber. Por fim Paulo novamente reafirma que alguns que professaram tais atitudes também desviaram-se da fé. Se o apóstolo Paulo tinha tanto zelo pelo seu filho na fé, certamente que tinha o dever de zelar pelo seu chamado. “Ninguém despreze tua mocidade; pelo contrário, torna-te padrão dos fiéis, na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza. Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres; porque, fazendo assim, salvarás tanto a ti mesmo como aos teus ouvintes”. 1 Tm. 5: 12 e 16. Depois deste testemunho de Paulo sobre tantas pessoas que segundo ele se desviaram da verdadeira fé, não é mais necessário se fazer nenhum comentário sobre o assunto, porém eu quero deixar quatro versículos para reflexão de todos que lerem essa reflexão e só farei um ligeiro comentário sobre o último versículo. “Sereis odiados de todos por causa do meu nome; aquele, porém, que perseverar até ao fim; esse será salvo”. Mt. 10: 22. “Aquele que perseverar até o fim, esse será salvo”. Mt. 24: 13. “Não temas as cousas que tens de sofrer. Eis que o diabo está para lançar em prisões alguns dentre vós, para serdes postos à prova, e terei tribulação de dez dias. Ser fiel até a morte e dar-te-ei a coroa da vida”. Ap. 2: 10. “O vencedor será assim vestido de vestiduras brancas, e de modo nenhum riscarei o seu nome do livro da vida, pelo contrario, confessarei o seu nome diante do meu Pai e diante dos seus anjos”. Ap. 3: 5. Quando Jesus afirmou que não riscaria do livro da vida o nome daqueles poucos que não contaminaram suas vestiduras, subentende-se que os que contaminaram ou foram riscados ou podem ser riscados. Não importa quando você foi salvo, mas você perseverar salvo até a morte. Amem.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

CAPA


FACULDADE JOÃO CALVINO – FAJOCA DEPARTAMENTO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU E PESQUISA CAUBI FEITOSA SANTOS AS PRINCIPAIS DOUTRINAS QUE MINAM O ALICERCE DA IGREJA CRISTÃ PÓS-MODERNA Barreiras 2010

CONTRA CAPA


CAUBI FEITOSA SANTOS AS PRINCIPAIS DOUTRINAS QUE MINAM O ALICERCE DA IGREJA CRISTÃ PÓS MODERNA Monografia apresentada como exigência parcial para a obtenção do título de bacharel em Teologia no curso de convalidação do Seminário Teológico Pentecostal do Ceará através de convênio com a Faculdade João Calvino. Monografia aprovada em ____ / ____ / ____ Nota_______ Banca examinadora _____________________________________________________ Prof. Francisco Wellington da Costa Orientador de Conteúdo Bacharel em Teologia (ICRE) Licenciado em Ciências da Religião (ICRE) Licenciado em Filosofia (ITEP) Pós-graduado em Ciências da Religião (ICRE) Mestrando em Filosofia (UECE) ______________________________________________________ Profª. Mirizana Alves de Almeida Orientadora Metodológica Mestre em Ciências Fisiológicas (UECE) Doutoranda em Ciências Médicas (UFC)

AGRADECIMENTOS


AGRADECIMENTOS Ao único Deus soberano Senhor, a Jesus Cristo, seu Filho, Nosso Senhor e Salvador, e ao Espírito Santo por permitirem a realização desse trabalho. A Deus, o início de tudo, a quem devo a vida e a possibilidade de mais esta conquista; aos meus familiares que me possibilitaram ser com seu apóio; aos Professores do Seminário Pentecostal do Ceará, que contribuíram significativamente para o alcance desta vitória. A verdade não poderia ser verdade neste mundo, se não estivesse em luta, e logo suspeitaríamos da verdade, se o erro tivesse amizade com ela. A pureza imaculada da verdade sempre deve estar em guerra contra as trevas da heresia e da mentira. (C. H. SPURGEON, 1879)

RESUMO


RESUMO A pesquisa sobre as principais doutrinas que minam o alicerce da Igreja Cristã Pós-moderna é de fundamental relevância por apresentar os ensinos falaciosos que estão sendo introduzidos no evangelho que está sendo pregado nas igrejas cristãs da atualidade. O que se pretende com este trabalho, em sentido amplo, é expor a necessidade de retorno a pregação de um evangelho genuíno pautado nas verdades bíblicas. E, em sentido estrito, espera-se comprovar, diante da perspectiva bíblica, que as doutrinas que se insurgem hoje na Igreja Cristã Pós-moderna contrariam o ensinamento bíblico e, por conseguinte, arruínam os fundamentos da igreja cristã, assim como levam o cristão a apoiar-se em preceitos que não poderão firmá-lo na fé, por não se constituírem o firme fundamento da igreja de Cristo. Por fim, almeja-se estudar os preceitos disseminados por tais doutrinas, além de analisar seus aspectos não condizentes com o ensinamento bíblico. Cumpre, então, verificar a pertinência do tema abordado e expor as doutrinas mais difundidas na igreja cristã da atualidade, considerando a sua repercussão social e a necessidade de sua refutação, conforme o exige a doutrina bíblica. Palavras-chave: Igreja Emergente. Doutrina. Teísmo Aberto. Confissão Positiva. Auto-ajuda.

ABSTRACT


ABSTRACT The research on the major doctrines that undermine the foundation of the Christian Church Post-modern is of fundamental importance by giving misleading teachings that are being introduced in the gospel being preached in Christian churches of today. What is intended with this work in the broad sense, is to expose the need to return to preaching a gospel based on genuine biblical truths. And in the strict sense, are expected to demonstrate in front of the biblical view that the doctrines which complain today in the Post-modern Christian Church against the biblical teaching and therefore ruin the foundations of the Christian church, and lead the Christian to rely on principles that can not so strong in faith, for not being the firm foundation of the church of Christ. Finally, aims to study the precepts disseminated by such doctrines, and examine aspects not consistent with biblical teaching. It then verify the relevance of the topic addressed and explain the doctrines most widespread in the Christian church of today, considering its social impact and the need for their rebuttal, as the Bible calls the doctrine. Keywords: Emerging Church. Doctrine. Open theism. Positive Confession. Self-Help.

SUMÁRIO


SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO.................................................................................................................09 2 CONCEITOS FUNDAMENTAIS.....................................................................................12 2.1 Em busca do conceito de doutrina..................................................................................12 2.2 Conceito de verdade........................................................................................................13 2.2.1 Verdade absoluta e verdade relativa............................................................................15 2.2.2 Verdade inerrante.........................................................................................................16 2.3 Os atributos de Deus.......................................................................................................17 3 IGREJA EMERGENTE.....................................................................................................22 3.1 Teísmo Aberto ou Teologia Relacional.........................................................................23 3.2 Confissão Positiva ou Movimento da Fé........................................................................28 3.3 Evangelho da Auto-ajuda................................................................................................30 4 COMO AS FALSAS DOUTRINAS MINAM A IGREJA CRISTÃ PÓS-MODERNA?.........................................................................................................................33 5 CONCLUSÃO...................................................................................................................52 REFERÊNCIAS................................................................................................................. 53

INTRODUÇÃO


INTRODUÇÃO O século XXI iniciou-se com a humanidade repleta de dúvidas profundas quando ao futuro, motivadas por fatos inusitados, tais como: os atentados terroristas, o terrível tsunami ocorrido na Ásia, bem como guerras declaradas ou iminentes. Em tal contexto histórico, a igreja cristã também não poderia deixar de sofrer influência não só desse período de incerteza, como também dos valores da Pós-modernidade. Hoje, vive-se numa época permeada de modismos em todos os âmbitos, inclusive dentro das igrejas cristãs. É nesse contexto que surge a Igreja Emergente. A Igreja Emergente ou Igreja Cristã Pós-moderna nasce no final do século XX e floresce no inicio deste século, ou seja, nasce num período em que ocorre uma crise não só mundial, mas também teológica e ética que assola a igreja cristã. No entanto, convém ressaltar que essa crise na igreja não ocorre a nível quantitativo, ou seja, número de evangélicos, visto que hoje são por volta de 35 milhões no Brasil, mas a nível qualitativo, pois há um distanciamento, e porque não dizer uma distorção, dos fundamentos doutrinários cristãos, tais como: interpretar livremente o texto bíblico sem se preocupar com a interpretação correta de acordo com a hermenêutica e com a ética cristã; a igreja cristã é muito mais influenciada do que influencia; multiplicação de novidades doutrinárias; uso da manipulação nas igrejas para mobilizar as massas na busca por mais adeptos, dentre outros. Diante dessas considerações, busca-se, pois, desenvolver pesquisa monográfica que responda aos seguintes questionamentos: O que é Igreja Emergente? Quais as principais doutrinas que penetraram na Igreja Cristã Pós-moderna? Quais fundamentos da Igreja Cristã Pós-moderna foram abalados com a intervenção dessas doutrinas? Por que essas doutrinas abalam os fundamentos da Igreja Cristã Pós-moderna? O assunto aqui tratado é de relevante interesse, por isso requer um estudo detalhado a fim de possibilitar maiores esclarecimentos sobre essas novas doutrinas que destroem os princípios da Igreja Cristã Pós-moderna, visando contribuir para um maior grau de consciência da sociedade como um todo quanto a estas doutrinas que entram sutilmente na Igreja Cristã Pós-moderna abalando o verdadeiro Evangelho pregado por Jesus Cristo. Tem-se, então, como objetivo geral, expor os fundamentos professados pelas principais doutrinas que abalam a Igreja Cristã Pós-moderna, quais sejam: Teísmo Aberto, Confissão Positiva e Evangelho da Auto-ajuda, observando os seus principais preceitos doutrinários. Como objetivos específicos têm-se: analisar quais as principais doutrinas que se infiltraram na Igreja Cristã Pós-moderna abalando os seus fundamentos; identificar em que estas doutrinas são contrárias aos preceitos bíblicos; tornar evidente que essas doutrinas minam o fundamento da Igreja Cristã Pós-moderna; questionar os ensinamentos doutrinários da Igreja Emergente e explicar porque estes pressupostos minam os fundamentos da Igreja Cristã Pós-moderna. Em relação aos aspectos metodológicos, as hipóteses são estudadas através de um estudo descritivo-analítico, desenvolvido através de pesquisa bibliográfica, mediante explicações embasadas nos teólogos Frame, MacArthur, Piper, Romeiro, dentre outros, que abordem direta ou indiretamente o tema em análise. No que diz respeito a utilização dos resultados, a tipologia da pesquisa é pura, à medida que tem como único fim a ampliação dos conhecimentos. No que tange à abordagem, é qualitativa, visto apreciar a realidade do tema dentro da perspectiva teológica. Quanto aos objetivos, a pesquisa é descritiva, posto que descreve, explica, esclarece o problema apresentado. Este trabalho foi desenvolvido em capítulos, no segundo capítulo, abordam-se conceitos fundamentais, considerados relevantes para o melhor entendimento do assunto abordado ao longo dos demais capítulos, tais como: doutrina, diferenciação entre dogma e doutrina, verdade, diferenciação entre verdade relativa e verdade absoluta, verdade inerrante e os atributos de Deus. No terceiro capítulo, busca-se apresentar três das principais doutrinas que têm destruído os fundamentos da Igreja Cristã Pós-moderna, quais sejam: Teísmo Aberto, Confissão Positiva e Evangelho da Auto-ajuda. No quarto capítulo, reflete-se a cerca da influência dessas doutrinas, que não estão de acordo com os pressupostos da Bíblia, na Igreja Cristã Pós-moderna, dando ênfase aos efeitos negativos decorrente dos preceitos que elas propagam, bem como comprovando com embasamento bíblico em que tais doutrinas são discordantes da doutrina professada por Cristo e, portanto, prejudicam de modo consubstancial os fundamentos da Igreja Cristã Pós-moderna. Enfim reflete-se com os autores pesquisados, sobre as perdas significativas que a Igreja Cristã Pós-moderna sofre em seus ensinamentos fundamentais com a influência dessas doutrinas, que se insurgem cada dia mais nas igrejas cristãs da atualidade.

CONCEITOS FUNDAMENTAIS


CONCEITOS FUNDAMENTAIS Como este trabalho versa sobre as doutrinas que minam o alicerce da Igreja Cristã Pós-moderna, faz-se necessário uma abordagem mais detalhada sobre alguns conceitos e elementos que serão esclarecedores para um bom entendimento do presente trabalho, dentre eles: doutrina; verdade; diferenciação de verdade relativa e verdade absoluta; verdade inerrante; atributos de Deus. 2.1 Em busca do conceito de Doutrina De acordo com o Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa (1999, p. 707), o vocábulo doutrina é originário do latim doctrina e significa conjunto de princípios que servem de base a um sistema religioso, político, filosófico, científico, etc. No campo teológico, definir doutrina não se constitui tarefa nada fácil, visto que este conceito é muito confundido com o conceito de dogma, no entanto, ambos possuem definições distintas. Russel (1991, p. 228) define doutrina da seguinte forma: Essa palavra significa ensino. Vem do latim, doctrina, cuja forma verbal é docere, ensinar. O termo tem um sentido geral, podendo referir-se a qualquer tipo de ensino, como também pode indicar algum ensino específico, como a doutrina da salvação. Também pode envolver as idéias de crença, dogma, conceito ou princípio fundamental ou normativo por detrás de certos atos. Esse vocábulo traz imediatamente às nossas mentes idéias e ensinamentos religiosos, porque usualmente é assim que o ouvimos ser dito. Depreende-se do exposto que a doutrina, embora de forma ampla designe qualquer tipo de ensino, de modo mais específico constitui-se o embasamento teórico que ira fundamentar a existência de qualquer entidade, seja de natureza religiosa ou política ou filosófica ou científica, etc. Dogma, visto de forma ampla, é o termo utilizado para designar verdades indiscutíveis nas áreas da ciência, da filosofia, etc. Veja o que Olson (2001 , p. 17) expõe sobre o assunto: A palavra “dogma" se deriva do termo grego dokein, o qual, na expressão dokein moi significa não só “parece-me” ou “agrada-me”, mas também “determinei definidamente algo de modo que para mim é fato estabelecido”. “Dogma” chegou a designar uma firme resolução ou um decreto, especialmente de forma pública. Era termo aplicado a verdades indiscutíveis da ciência, a convicções filosóficas que são tidas como válidas, a decretos governamentais e a doutrinas religiosas oficialmente formuladas. Assim, observando-se de modo mais acurado, pode-se perceber que o dogma realmente é o conjunto de verdades indiscutíveis, assim como a doutrina, no entanto, diverge desta, pois, enquanto naquela suas verdades são resultantes da formulação de alguma instituição, quer de caráter religioso, filosófico, científico, etc; este não, nada mais é do que uma verdade que se estabelece por si mesma, sem que alguém precise determiná-la como verdade. Observe o que diz Olson (2001, p. 17) sobre o exposto: Embora a palavra “dogma” algumas vezes seja usada na religião e na teologia com sentido amplo, sendo praticamente sinônimo de “doutrina”, geralmente tem um sentido mais restrito. Doutrina é a expressão direta, às vezes ingênua, de uma verdade religiosa. Não é necessariamente formulada com precisão científica, e mesmo quando o é, pode ser meramente a formulação de uma só pessoa. Um dogma religioso, por sua vez, é uma verdade religiosa baseada sobre autoridade, oficialmente formulada por qualquer assembléia eclesiástica. Portanto, do exposto acima, depreende-se que a doutrina é a expressão direta de uma verdade que no presente trabalho, por ser de caráter teológico, seria religiosa; no entanto, de modo mais amplo, pode-se subtender que estas verdades podem ser também de caráter filosófico, científico, etc; enquanto o dogma são verdades estabelecidas por quem tenha autoridade para fazê-lo. 2.2 Conceito de Verdade O conceito de verdade pode ser abordado de acordo com diferentes perspectivas. Dentre algumas dessas inúmeras abordagens, convém ressaltar as definições expressas pelo dicionário, pela filosofia e pela bíblia. De acordo com o Novo Aurélio (1999, p. 2060), o vocábulo verdade vem do latim veritate que significa: “1. Conformidade com o real; exatidão, realidade. 2. Franqueza, sinceridade. 3. Coisa verdadeira ou certa. 4. Princípio certo. 5. Representação fiel de alguma coisa da natureza. 6. Caráter; cunho.”[...] Do ponto de vista filosófico, a idéia de verdade está vinculada a própria filosofia, portanto tenta definir a verdade de acordo com quatro teorias, quais sejam: teoria da coerência, teoria pragmática, teoria da realização, e a teoria da correspondência. A teoria da coerência da verdade exprime que para que uma proposição seja considerada verdadeira faz-se necessário analisá-la em consonância com as demais declarações do sistema. Geisler e Feinberg (2002, p. 186) afirmam que: Segundo a teoria da coerência da verdade, uma declaração (alguns filósofos preferem a palavra juízo) é verdadeira se, e somente se, é coerente ou consistente com as demais declarações do sistema. Cada declaração do sistema é relacionada com todas as demais declarações por implicação.[...] Assim, nenhuma declaração pode ser considerada verdadeira se for descontextualizada, portanto, para que uma proposição seja considerada verdadeira tem que estar coerente com as demais declarações, pois uma proposição implica na outra. Já a teoria pragmática é aquela que para considerar algo como verdadeiro leva em consideração a relação entre aquilo que é considerado verdadeiro e a prática, ou seja, a verdade seria resultado do método experimental e, portanto, aceito pela comunidade científica. Geisler e Feinberg (2002, p. 189) expõem que: Peirce procurava relacionar a verdade com práticas observáveis; seu modo de entender a verdade estava em contradistinção com o de Descartes. [...] Peirce chamava sua abordagem de pragmatismo, e argumentava em prol de uma compreensão pública da verdade. Não se podia conceber da verdade à parte do seu relacionamento prático com dúvidas e crenças dentro do arcabouço da pesquisa humana.[...] A verdade é a conseqüência do método experimental, e será finalmente concordada pela comunidade científica. De acordo com essa teoria, o homem busca a verdade na prática, já que, na perspectiva de Peirce, a verdade surge como resultado dos experimentos científicos, pois a experiência é fundamental para a compreensão da verdade. No entanto, sua visão divergia da de Descartes, visto que este, por sua vez, acreditava no subjetivismo de que a verdade era resultado de uma idéia clara. A teoria do desempenho da verdade é aquela em que a pessoa ao declarar que algo é verdadeiro não está fazendo uma afirmação, mas está apenas concordando com o que está sendo declarado. Geisler e Feinberg (2002, p. 192) postulam que: Argumentava que “verídico” é uma expressão de desempenho. Ao empregar uma definição de desempenho a pessoa não está fazendo uma declaração mas, sim, desempenhando uma ação. Segundo Strawson, ao prefixar uma declaração com: “É verdade que...” não estamos fazendo um comentário sobre a declaração, mas, sim, concordando com, aceitando, ou endossando a declaração. Dizer que “É verdade que o céu é azul” não é dizer nada mais do que “Concordo que o céu é azul.” É possível inferir do exposto que essa concepção de verdade não é resultado de expressões descritivas, pois resulta da aceitação de algo que foi dito, ou seja, a verdade seria resultado do endosso de determinada declaração como verdadeira. A teoria da correspondência da verdade afirma que a verdade é resultado da correspondência entre o que se declara ou se acredita como verdadeiro com os fatos da realidade, como expressam Geisler e Feinberg (2002, p. 194): “A teoria da correspondência da verdade sustenta que a verdade consiste nalguma forma de correspondência entre uma crença ou uma frase, e um fato ou um estado de coisas.” Na perspectiva bíblica, a verdade é o próprio Deus, que se manifesta pela sua palavra, bem como pela encarnação de seu próprio filho. No Antigo Testamento, “Deus é a verdade” como está explícito em Deuteronômio 32.4 e também a “Tua lei é a verdade”, Salmo 119.142. No Novo Testamento, “Disse Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida.” em João 14.6. MacArthur (2008, p.21) afirma sobre o assunto: Uma perspectiva bíblica da verdade também envolve, necessariamente, o reconhecimento de que a verdade absoluta é uma realidade objetiva. A verdade existe fora de nós e permanece inalterável, independentemente de como a percebemos. A verdade, por sua própria natureza, é tão fixa e constante quanto Deus é imutável. Porque a verdade pura (que Francis Schaefer chamava de “verdade verdadeira”) é a expressão inalterada e imutável de quem Deus é; não é a nossa própria interpretação pessoal e arbitrária da realidade. Diante do exposto, depreende-se que o conceito bíblico é absoluto, visto que não é possível dissociar-se a verdade de Deus, já que Ele é a própria verdade, portanto rejeitar as verdades bíblicas é rejeitar o próprio Deus, pois a sua palavra é a manifestação de Deus, que é a verdade, aos homens. Já nos conceitos filosófico e semântico de verdade, observa-se uma verdade relativa, pois para a filosofia a verdade adquire diferentes roupagens de acordo com as diferentes concepções do que é verdadeiro e do que é falso, enquanto no campo semântico a verdade também assume seu caráter de adequação a realidade, visto que a verdade vai variar de acordo com a realidade. Diante do exposto, faz-se necessário uma abordagem mais detalhada de verdade absoluta e relativa, que será realizada a seguir. 2.2.1 Verdade Absoluta e Verdade Relativa Nos últimos três séculos, a verdade deixou de ser absoluta e passou a ser relativa, visto que esta resulta da constante evolução humana. Gonzalez (2004, p. 26) afirma sobre o assunto: Segundo, poderíamos dizer que toda verdade é relativa, que não há tal coisa como verdade absoluta entre os seres humanos. Este conceito de verdade tem estado em moda nos últimos dois ou três séculos, resultado dos enormes desenvolvimentos nos estudos científicos e históricos que nos têm feito conscientes da relatividade de todo conhecimento humano. De acordo com essa perspectiva, toda verdade deve ser considerada relativa, visto que a ciência vive em constante progresso e, portanto, nenhum conhecimento humano pode ser considerado absoluto, pois sofre constante evolução a medida que a ciência aprofunda seus estudos com o passar dos anos. Levando-se em consideração o contexto histórico, já que este trabalho aborda as doutrinas que imergiram na igreja pós-moderna, a queda do muro de Berlim marcou a repentina decadência da era Moderna. Quase que na sua totalidade, conceitos dogmáticos e pontos de vista modernos tornaram-se obsoletos ou ultrapassadas em quase todos os níveis culturais. Até a verdade sofreu uma influência danosa na cultura pós-moderna, pois o relativismo tornou-se o cerne da concepção da verdade. MacArthur (2008, p. 41) ressalta sobre o exposto: A preferência que o pós-modernismo tem pela subjetividade, acima da objetividade, torna-o inerentemente relativista. Naturalmente, o pós-modernista tem aversão por absolutos e não quer reconhecer qualquer verdade que pareça axiomática ou auto-evidente. Pelo contrário, a verdade, quando é, de algum modo, reconhecida, torna-se infinitamente flexível e, em última análise, incapaz de ser reconhecida em algum sentido objetivo. O pós-modernismo assinala, portanto, um grande triunfo do relativismo – o conceito de que a verdade não é fixa e objetiva, e sim algo determinado pela percepção exclusiva e subjetiva de cada pessoa. Tudo isso é, conclusivamente, uma tentativa inútil de eliminar da vida humana a moralidade e a culpa. Portanto, o pós-modernismo reconhece a verdade como relativa, visto que tem preferência pela subjetividade, no entanto, recusa-se a aceitar qualquer verdade como absoluta, tornando-se, assim, o período do relativismo, pois para eles a verdade é flexível, incapaz de ser vista como fixa e objetiva. Diante de tudo que foi exposto acima, pode-se perceber que na pós-modernidade o conceito de verdade absoluta está sendo desprezado, já que há uma relativização da verdade, pois este conceito é sempre analisado da perspectiva subjetiva, portanto, a verdade absoluta é rejeitada, embora seja composta de preceitos considerados universalmente incontestáveis. 2.2.2 Verdade Inerrante A Bíblia é considerada verdade inerrante, embora a inerrância das escrituras seja muito mal compreendida e muito atacada. O grande problema que se percebe é que a inerrância é negada para dar vazão a sérios desvios doutrinários. Ao negar-se a inerrância da Bíblia aparecem desvios doutrinários como: negação da queda de Adão e da experiência de Jonas; tentativa de explicação racional de alguns milagres; uma visão liberal do divórcio, da homossexualidade, do adultério; análise da Bíblia de acordo com a psicologia moderna, dentre outros. O vocábulo inerrância significa ausência de erros. A Bíblia é considerada inerrante, visto que diz a verdade, não necessariamente porque seja isenta de erros, pois nela contém citações livres, linguagem figurada, narrativas diferentes do mesmo evento, aproximações, mas o importante é que ela não se contradiz em seus relatos. Ryrie (2004, p. 91) relata o seguinte: A maioria dos debates sobre verdade e erro perdem-se quando se tornam filosóficos e deixam de ser realistas. A maioria das pessoas entende de forma clara e fácil que as aproximações, a linguagem figurada, etc. dizem a verdade. A Bíblia é inerrante por afirmar a verdade, e o faz sem erros em todas as partes e em todas as palavras. Assim, se a Bíblia for analisada numa perspectiva filosófica ou cientifica pode-se achar equivocadamente que ela contém erros, no entanto, se for analisada da perspectiva que, independentemente da linguagem utilizada, ela é inerrante, porque ela foi inspirada por Deus, que é a verdade, portanto, a Bíblia é a verdade. Na perspectiva do autotestemunho, ou seja, que a Bíblia testifica de si mesma ser a verdade inerrante, pode-se certificar que ela é plenamente confiável em tudo que afirma, desde que se procure entendê-la dentro de seus próprios moldes. Veja o que Piper et al (2006, p. 293) expõe sobre o assunto: A afirmação do autotestemunho das Escrituras é importante por, no mínimo, duas razões. Em primeiro lugar, não nos achegamos à Bíblia e fazemos dela algo que não diz ser. Não lhe conferimos uma autoridade que ela mesma não declare possuir. Em vez disso, é ela que se aproxima de nós, trazendo consigo seu próprio autotestemunho ou autoconfirmação, ou seja, ela é nada menos que a Palavra escrita de Deus e, na condição de ter sido dada pelo Senhor, não apenas possui as marcas da origem divina, mas é também plenamente cheia de autoridade, suficiente e confiável.[...] Logo, pode-se concluir que as Escrituras, embora utilizem uma linguagem que não condiz com a linguagem científica, dão autotestemunho de sua veracidade, ou seja, confirmam que são a própria Palavra de Deus escrita, portanto sua autoridade divina a torna confiável. 2.2.3 Atributos de Deus Segundo Joiner (2007, p. 47), “O termo Atributos de Deus” quer dizer os diferentes aspectos do seu caráter, ou seja, suas qualidades ou perfeições próprias à sua natureza. São chamados atributos porque Deus os atribui a si mesmo, porque são próprios da sua pessoa.” Ryrie (2004, p. 41) afirma que “Atributos são as qualidades inerentes a um sujeito. Elas o identificam, distinguem ou analisam.” Berkhof (2007, p. 41), por sua vez, ressalta que “Todos concordam em que os atributos não são meros nomes sem nenhuma realidade que lhes corresponda, nem partes separadas de um Deus composto, mas sim, qualidades essenciais nas quais o Ser de Deus é revelado e com as quais pode ser identificado.” Depreende-se, portanto, do exposto, que os atributos de Deus são qualidades essenciais inerentes a seu Ser, que Ele atribui a si mesmo, através das quais é possível caracterizá-lo e, principalmente, revelá-lo. Alguns teólogos, como Joiner (2007, p. 49), de modo sucinto, deixam de lado classificações, reúnem em 12 os atributos de Deus, quais sejam: unidade, eternidade, espiritualidade, onisciência, onipotência, onipresença, imutabilidade, sabedoria, verdade, santidade, justiça e bondade. Outros estudiosos do assunto admitem várias classificações para os atributos divinos, no entanto, algumas ganham destaque, são as seguintes: atributos naturais e morais; atributos absolutos e relativos; atributos imanentes ou intransitivos e emanentes ou transitivos; atributos incomunicáveis e comunicáveis. Os atributos considerados naturais seriam aqueles que pertencem à natureza constitutiva de Deus, como auto-existência, simplicidade, infinidade, etc., enquanto os morais seriam aqueles que qualificam-no como um Ser moral, como verdade, bondade, misericórdia, justiça, etc.. No entanto, essa classificação encontra objeções, porque os teólogos afirmam que os atributos morais também são naturais. Os atributos absolutos são aqueles considerados pertencentes à essência de Deus em si mesma, como auto-existência, imensidade, eternidade, etc., enquanto os relativos são aqueles que pertencem à essência divina em relação a sua criação, como onipresença e onisciência. Os atributos intransitivos ou imanentes são aqueles que se expõem e produzem efeitos externos quanto a Deus, como benignidade, justiça, etc., enquanto os transitivos ou emanentes são aqueles que não se expõem nem operam fora da essência divina, como imensidade, eternidade, etc. Os atributos incomunicáveis são aqueles que não existe nada parecido na criatura, como asseidade, imensidade, etc., enquanto os comunicáveis são aqueles com os quais o espírito humano tem algo semelhante, como poder, bondade, misericórdia, retidão, etc. No presente trabalho, abordar-se-á, a seguir, os atributos de Deus, os 12 citados anteriormente, independentemente de classificação, de forma que sirva de embasamento teórico para a compreensão de explicações que são apresentadas nos capítulos subseqüentes. O atributo da unidade significa que só existe um Deus, que é indivisível. Além do que, esse atributo ressalta também a singularidade de Deus, ou seja, que Ele é único, portanto implica dizer que Ele é o único Deus por meio do qual todos os outros seres vieram a existência e, em decorrência disso, existem por meio d’Ele e para Ele, como verifica-se em Efésios 4.6: “Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos.” A eternidade, por sua vez, é o atributo divino que implica que Deus não tem começo nem fim, portanto sua existência é eterna, pois Ele está acima dos limites temporais, visto que Ele é auto-existente, ou seja, nunca foi gerado nem veio a existir. No Salmo 90.2 comprova-se a auto-existência de Deus: “Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus. O atributo da espiritualidade é aquele que exprime que Deus é Espírito, ou seja, que Deus é puramente espiritual, portanto sua existência é distinta da matéria, visto que não possui em seu Ser divino nenhuma característica material, como está expresso em João 4.24a: “Deus é espírito.” Onisciência é um atributo divino que expressa que Deus conhece tudo, ou seja, que esse conhecimento é perfeito e sem restrições, pois Deus sabe todas as coisas reais e possíveis, bem como seu domínio se estende dos céus até a Terra e até ao inferno, portanto seu conhecimento é infinito, como verifica-se em Salmo 147.5 que diz: “Grande é o Senhor nosso e mui poderoso; o seu entendimento não se pode medir.” O atributo da onipotência, por sua vez, significa que Deus tem poder para fazer tudo que lhe apraz, ou seja, Ele é Todo-Poderoso, portanto pode fazer todas as coisas que podem ser feitas, contanto que não seja contrário à sua natureza, como contata-se em Salmo 62.11 que diz: “Uma vez falou Deus, duas vezes ouvi isto: que o poder pertence a Deus.” Onipresença é o atributo que exprime que Deus existe em todo o espaço infinito, ou seja, que Deus está presente em todos os lugares, como afirma Jeremias 23.24b: “Porventura, não encho eu os céus e a terra? – diz o Senhor.” O atributo da imutabilidade significa dizer que Deus não muda em sua essência, em seus propósitos, em seus valores, em seus princípios, ou seja, não pode ocorrer mudança em seu Ser, em sua perfeição, isso, no entanto, não significa que as ações de Deus não possam variar, como está expresso em Malaquias 3.6a: “Porque eu, o Senhor, não mudo.” Sabedoria é o atributo de Deus que exprime o uso correto do conhecimento, ou seja, a sabedoria é a utilização do conhecimento de forma satisfatória, portanto sabedoria e conhecimento não são sinônimos, visto que a sabedoria é a utilização do conhecimento de modo a conseguir os melhores resultados possíveis, como expresso em Provérbios 3.19: “O Senhor com sabedoria fundou a terra, com inteligência estabeleceu os céus.” O atributo da verdade é considerado como veracidade, ou seja, dizer que Deus é a verdade significa incluir a esse conceito as idéias de fidedignidade, fidelidade e coerência, pois afirmar que Deus é a verdade é o mesmo que dizer que Ele é coerente, fiel e fidedigno, portanto Ele é confiável, como descreve João 17.3a: “o único Deus verdadeiro.” Santidade é o atributo de Deus que expressa que Ele é completamente puro, portanto em Deus encerra-se todo princípio de excelência moral, visto que a santidade é inerente a sua natureza divina. Além do mais, a própria palavra santidade significa aquilo que é separado, no caso de Deus é a separação do pecado em virtude de sua santidade, como vê-se em Apocalipse 15.4a: “Pois só tu és santo.” O atributo da justiça é a manifestação prática da retidão, se fez necessário, portanto, que Deus instituísse um governo moral no mundo baseado em leis justas e Ele age de acordo com esses preceitos da moralidade e da justiça prometendo recompensa aos que os obedecerem, como lê-se em Salmo 89.14a: “Justiça e direito são o fundamento do teu trono.” A bondade é um atributo de Deus que abrange a misericórdia, a longanimidade, a beneficência e o amor, portanto a misericórdia de Deus é a manifestação de sua bondade e de seu amor, visto que Deus deseja a felicidade para suas criaturas. Berkhof (2007, p. 68) afirma que: [...]“em nossa atribuição de bondade a Deus, a idéia fundamental é a de que ele é, em todos os aspectos e por todos os modos, tudo aquilo que deve ser como Deus, e, portanto, corresponde perfeitamente ao ideal expresso pela palavra “Deus”.” Assim, Deus é a própria expressão da bondade, como percebe-se em Marcos 10.18b que diz: “Ninguém é bom senão um, que é Deus.” Além desses 12 atributos expostos acima de acordo com a classificação de Joiner, faz-se necessário mencionar também um atributo de suma importância para este presente trabalho que é o da soberania. A soberania é o atributo divino que expressa a magnitude de Deus, visto que Ele é o Ser supremo do universo. Isso significa dizer que Deus está revestido de autoridade absoluta sobre sua obra criadora, ou seja, o céu, a Terra e tudo o que eles contêm lhe pertencem, como constata-se em Salmo 135.6: “Tudo quanto aprouve ao Senhor, ele o fez, nos céus e na terra, no mar e em todos os abismos.”

IGREJA EMERGENTE


IGREJA EMERGENTE O termo Igreja emergente surgiu no final do século XX, mas difundiu-se no início do século XXI. Trata-se de uma nova terminologia usada para referir-se a Igreja Pós-moderna, cuja teologia apresenta uma nova abordagem bíblica, que surgiu da insatisfação dos cristãos com a vida espiritual que estavam desenvolvendo, bem como pela frustração com a estrutura e tradição da igreja. Um dos maiores propagadores dessa nova teologia é o americano Dan Kimball que publicou o livro The Emerging Church: Vintage Christianity for New Generations. Essas mudanças na comunidade cristã nasceram no século passado, mas estão sendo impostas como decorrência da pós-modernidade, visto que a relativização dos valores e dos dogmas é um princípio basilar pós-moderno. Assim, a relativização da verdade decorrente de sua desvalorização também foi fator decisivo que propiciou o surgimento dessas comunidades cristãs independentes, denominadas Igrejas Emergentes. MacArthur (2008, p.09) define Igreja Emergente com muita propriedade como: Esse é o nome popular de uma associação informal de comunidades cristãs, de alcance mundial, que deseja restaurar a igreja, alterar o modo de os cristãos interagirem com a sua cultura e remodelar a maneira de pensarmos a respeito da própria verdade. Da própria definição de Igreja Emergente infere-se que um de seus postulados fundamentais tem por finalidade a relativização do conceito de verdade, visto que ele pode ser remodelado, admitindo-se, assim, a verdade como algo que se sujeita a adaptações. Consonante com essa definição de MacArthur, que a igreja emergente ou igreja pós-moderna surge da necessidade dos cristãos alterarem o modelo da igreja vigente para adequá-la as necessidades da pós-modernidade, Daniel (2007, p. 30) conceitua igreja emergente como: Igreja Emergente ou Igreja Pós-moderna, como também é chamada, é um movimento nascido no meio evangélico e que procura atrair cristãos influenciados pela pós-modernidade, principalmente aqueles cristãos sem igreja ou que se definem como desiludidos ou insatisfeitos com suas igrejas ou com todas as igrejas. Gente que se diz cansada ou frustrada com a organização e a tradição de suas denominações (o que chamam invariavelmente de “legalismo”, termo que também tem outros sentidos para os emergentes) e com o “sistema” e “jeito de ser” do meio evangélico. Portanto, essa necessidade de redefinir as crenças cristãs surge da insatisfação de alguns cristãos com o cristianismo vigente, buscando, assim, novos significados para as verdades bíblicas fora do legalismo e da ortodoxia inflexível. Essa perspectiva de abordar a verdade bíblica como adaptável e ambígua permeia cada vez mais as igrejas evangélicas da atualidade, já que não é mais tão importante se algo é verdade ou não, mas se as pessoas aprovam ou não esse algo, que deve ser bem mais atraente, principalmente, para os jovens, que não conseguem suportar a verdade bíblica, pois esta vai de encontro aos seus estilos de vida permeados de permissividade. Essas teologias pós-modernas, que servem de fundamento para as Igrejas Emergentes, surgem a partir da ética pós-moderna que tem como fundamento a busca pelo prazer e satisfação pessoal, levando os cristãos a flexibilizarem sua fé na busca por essas falsas necessidades e desvirtuando, assim, o conceito bíblico da verdade. Assim, as pessoas são induzidas a acreditarem que para serem felizes precisam satisfazer as demandas da pós-modernidade. No presente trabalho faz-se necessário abordar, como veremos a seguir, algumas destas doutrinas, as mais significativas na atualidade, dessa nova categoria de igreja que surge, cujo fundamento contraria a doutrina bíblica, quais sejam: Teísmo Aberto ou Teologia Relacional, Confissão Positiva ou Movimento da Fé e Auto-ajuda. 3.1 Teísmo Aberto ou Teologia Relacional O teólogo canadense Clark Pinnock é o nome mais expressivo do movimento teológico denominado também de teologia da abertura de Deus ou teologia relacional, que tem também como teólogos renomados Gregory Boyd e John Sanders, que difundem essa visão. Embora esses defensores do teísmo aberto descrevam esse movimento como contemporâneo, faz-se necessário ressaltar que suas idéias tem como fundamento os movimentos intelectuais do passado, mas precisamente na antiguidade. Frame (2006, p. 25) afirma o seguinte sobre o assunto: O próprio Sanders admite que um dos elementos característicos cruciais (o elemento crucial, na minha visão) do teísmo aberto é antigo: o livre-arbitrio indeterminista. Ele observa que esse conceito pode ser encontrado em Filo e em muitos antigos pais da Igreja. Ele encontra o indeterminismo, obviamente, nos escritos de Jacob Arminius (m.1609), o oponente do calvinismo. Evidentemente, o indeterminismo não é uma ideia tão nova assim. Portanto, o teísmo aberto ou teologia relacional não é uma idéia tão nova quanto seus divulgadores tentam disseminar que é, nada mais é do que uma nova abordagem da natureza e dos atributos de Deus, que tem se difundindo contemporaneamente. Assim, o Teísmo Aberto ou Teologia Relacional, na verdade, surgiu do debate entre arminianos, que professam a liberdade e responsabilidade humana por suas escolhas, e calvinistas, que acreditam em Deus como Criador soberano e onisciente. Veja o que Emmons (2006, p. 5) expõe a esse respeito: Há centenas de anos as pessoas lutam com dois ensinos da Bíblia aparentemente incompatíveis entre si: a determinação global e onisciente [por parte de Deus] de tudo o que acontece em Sua criação (denominada “providência” ou “presciência”) e a liberdade e responsabilidade humanas de escolher seu próprio caminho (chamada de “livre-arbítrio”). Essa antinomia bíblica apresenta a soberania divina e a responsabilidade humana numa situação de convivência mútua. Entretanto, o raciocínio humano procura solucionar a situação com a exclusão de uma delas. Dessa forma, os teólogos do Teísmo Aberto, na ânsia de encontrarem um meio-termo aceitável entre as idéias arminianas e calvinistas, acabaram por difundir idéias muito liberais decorrentes da Teologia Liberal. Convém ainda salientar que, o Teísmo Aberto ou Teologia Relacional não pode ser considerado como algo novo também, porque suas origens remontam a Teologia do Processo, esta, por sua vez, considerada uma seita que teve sua origem no século 19 e desenvolveu-se a partir do criticismo racionalista baseado no ensino de Socínio. Veja o que assegura Merkle (2006, p. 59) sobre o assunto: Ao contrário da forma pela qual costumam falar, os defensores da teologia relacional de Deus não estão necessariamente explorando um novo e excitante território. (...) A doutrina relacional de Deus é meramente uma reedição de uma das mais detestáveis partes da teologia do século 16, com Socínio. Ou, mais recentemente, a teologia relacional de Deus é uma versão rebatizada daquilo que tem sido formado na Universidade de Chicago há pelo menos cinquenta anos sob a liderança da teologia do processo.(...) Assim, pode-se constatar que o Teísmo Aberto ou Teologia Relacional tem a origem de seu pensamento na teologia do processo, cujo mentor foi o matemático e filósofo Alfred Whitehead (1861-1947) e suas idéias nada mais eram do que um reavivamento das idéias de Socínio. Já que foi abordado o termo Teologia Relacional, faz-se necessário fazer uma pequena observação sobre a origem do termo, visto que, embora, Ricardo Gondim atribua a si e ao engenheiro Stanlei Belan a criação do termo Teologia Relacional, outro nome dado ao Teísmo Aberto, que também é denominado por alguns teólogos como Teísmo Relacional, nada se encontra na literatura sobre o assunto que atribua a ambos a autoria do termo. O Teísmo Aberto ou Teologia Relacional como o nome já define é a expressão de um pensamento humano sobre Deus, e como todo pensamento teológico, esse é baseado em uma particular interpretação do modo como Deus se relaciona com a sua criação. A partir dessa interpretação particular de Deus, o Teísmo Aberto ou Teologia Relacional argumenta que a visão clássica de Deus o retrata como dominador, quando na verdade Ele não é, visto que Ele não é conhecedor de tudo, mas apenas daquilo que é possível saber, pois Ele não é conhecedor das ações futuras das pessoas livres. De acordo com o exposto, Armstrong (2006, p. 10) assevera que: Os argumentos do teísmo relacional geralmente estão arraigados na noção de que a visão clássica de Deus o apresenta como um déspota ou como um soberano dominador. Eles insistem que Deus tem conhecimento, mas não todo o conhecimento. Ele não conhece os atos futuros de seres livres, caso contrário esses atos não poderiam ser praticados por criaturas verdadeiramente livres. Já que Deus não sabe o que acontecerá na sua vida amanhã, Ele não é uma divindade isolada e distante, mas um Deus envolvido e pessoal. O deus do teísmo relacional está pronto para entrar em novas experiências e tornar-se profundamente envolvido em nos ajudar, à medida que nós, juntamente com ele, encaramos os eventos que nós não sabíamos que aconteceriam.(...) Depreende-se do exposto acima que o Teísmo Aberto ou Teologia Relacional relativiza a onisciência de Deus ao afirmar que Deus só tem conhecimento de todas as coisas que podem ser conhecidas, portanto, Deus não tem conhecimento do futuro, visto que este é imprevisível para Ele por ser decorrente da vontade de seres livres. Os estudiosos sobre o Teísmo Aberto ou Teologia Relacional ou Teísmo Relacional são unânimes em afirmar que esse movimento teológico tem cinco pilares que fundamentam suas afirmações e crenças, quais sejam: o maior atributo de Deus é o amor; Deus não é tão soberano assim; Deus não conhece o futuro; Deus se arrisca e Deus comete erros, aprende e muda. Diante do exposto, faz-se necessário um maior detalhamento a seguir desses fundamentos imprescindíveis ao entendimento do Teísmo Aberto. Um dos fundamentos do Teísmo Aberto é considerar o amor como maior atributo de Deus. Os teólogos que defendem esse movimento centralizam um único atributo de Deus, que no caso é o amor, e tentam compreender Deus a partir dele. Observe o que Daniel (2007, p. 162) explana sobre o assunto: Na Teologia Relacional ou Teísmo Aberto, este atributo divino é normalmente enfatizado em detrimento a todos os demais atributos de Deus. Todos os atributos divinos, mesmo sua imutabilidade, sua onisciência e sua onipotência, são diminuídos e reinterpretados para favorecer o atributo do amor. Ao procederem desta maneira, os teólogos desse movimento adotam a mesma perspectiva defendida por Ritschl em que há uma releitura dos demais atributos de Deus de modo a minimizá-los favorecendo assim a exaltação do atributo do amor como o mais relevante. Esse modo de pensar opõe-se a teologia clássica que considera todos os atributos de Deus essenciais para entender a sua essência. Outro ponto fundamental para os teístas abertos é a relativização da soberania de Deus ao afirmarem que Deus não é tão soberano assim, ou seja, eles consideram que há soberania em Deus, mas esta não é absoluta. Piper (2006, p. 310) assevera o seguinte sobre o exposto: A maioria dos proponentes do teísmo aberto, senão todos eles, tende a “limitar” a soberania de Deus em algum sentido. Devo comentar brevemente que não estou usando a palavra “limitar” em sentido negativo ou pejorativo. Em vez disso, ela está sendo usada no sentido de que Deus livremente escolhe limitar a si mesmo em virtude do fato de que ele optou criar certo tipo de mundo, ou seja, um mundo que contém seres humanos com liberdade libertária. Nesse sentido, então, “limitar” não se refere a uma fraqueza ou imperfeição de Deus; em vez disso, se refere a uma limitação auto-imposta que é parte de seu plano, e não uma violação dele. Assim, os doutrinadores do Teísmo Relacional acreditam que a limitação da soberania de Deus também é uma manifestação de sua vontade soberana que limitou a si mesmo como parte de seu plano criador, portanto essa limitação não possui conotação negativa, visto que para cumprimento do seu desejo Deus auto limitou-se, ou seja, Ele mesmo soberanamente resolveu limitar-se. O Teísmo Aberto tem como um de seus pressupostos fundamentais a afirmação de que Deus desconhece o futuro, abandonando assim a posição clássica que defende a onisciência de Deus. Frame (2006, p. 74) expõe o seguinte sobre o tema: Por esse ponto de vista, o futuro é de tal natureza que não pode ser conhecido exaustivamente. Assim, os teístas relacionais alegam que, de seu ponto de vista, Deus é onisciente no sentido de que ele conhece tudo o que pode ser conhecido. O fato de que ele carece conhecimento exaustivo sobre o futuro não é propriamente uma limitação, mas uma inabilidade de fazer um círculo quadrado. Assim como sua onipotência o capacita a fazer tudo o que pode ser feito, sua onisciência o capacita a conhecer tudo o que pode ser conhecido. Isso inclui o conhecimento do passado e do presente, mas não do futuro, de forma que os teístas relacionais chamam sua posição de presentismo. Nessa perspectiva, pode-se perceber que há uma negação que Deus conhece o futuro e, por conseguinte, uma relativização de um dos atributos mais importantes de Deus que é a onisciência. Portanto, de acordo com os teólogos que defendem esse movimento, Deus conhece o que é possível conhecer como passado e presente, mas não pode conhecer o futuro, pois Deus não poderia conhecer o que ainda não existe. Outro pilar fundamental do Teísmo Aberto é a proposição Deus se arrisca, visto que os teólogos desse movimento acreditam que Deus ao criar os homens e os anjos e dar-lhes o livre-arbítrio colocou-se em situação de risco ao não ter em suas mãos o controle das ações de suas criaturas. Frame (2006, p. 81) expõe que: Outra objeção dos teólogos do teísmo aberto à doutrina da preordenação exaustiva divina é que Deus, na Bíblia, nem sempre consegue tudo o que quer. Às vezes, as criaturas “frustam” a vontade de Deus. Portanto, Deus precisa se arriscar. Nicole mostra que, para os defensores do teísmo aberto, esses riscos são realmente grandes. Para eles, a frustração de Deus não é ocasional, mas frequente. Ele assumiu um risco muito grande ao criar anjos livres e, junto com muitos anjos caídos, Satanás desertou, criando o “enorme problema do mal”. Deus esperava que Adão e Eva permanecessem justos, mas eles não o fizeram. Num determinado momento, o mal se tornou tão desenfreado a pondo de Deus se arrepender de ter feito a humanidade, tendo, então, provocado uma “quase completa aniquilação da humanidade”. Deus se arriscou, salvando Noé e sua família, mas isso também não deu certo. Essas apostas se mostraram tão ruins que somente a morte do seu próprio Filho poderia salvar a situação. Porém, mesmo isso se tornou insuficiente, visto que muitas pessoas se recusam a crer e têm sofrido consequências devastadoras. Assim, de acordo com essa perspectiva dos teístas relacionais, Deus se arrisca, pois Ele nem sempre consegue que as coisas saiam exatamente como Ele quer, portanto, disso decorre também que Ele se frustra, pois seus planos para darem certo necessitam que as suas criaturas façam exatamente o que Ele espera, o que nem sempre acontece, visto que Ele legou-lhes o livre-arbítrio, assumindo assim o risco de ter os seus desígnios frustrados. De acordo com o Teísmo Aberto, Deus comete erros, aprende e muda. Essa capacidade de Deus de cometer erros, aprender e mudar seria, na perspectiva dos teístas relacionais, decorrente do fato de Deus desconhecer o futuro, pois como o futuro é desconhecido vai proporcionar a Deus a oportunidade de aprender com as situações. Wilson (2006, p. 25) assevera o seguinte sobre o exposto: No teísmo relacional, o futuro é imprevisível, e vem a existência como resultado de uma cooperação de esforços entre Deus e o homem, em cujo processo Deus aprende muitas lições profundas. Ele é surpreendido a cada dia, e aprende com aquilo que nós fazemos. Em resumo, ele não é o Deus de Isaías. Percebe-se que essa capacidade de Deus mudar é decorrente do fato do futuro ser totalmente imprevisível, ou seja, desconhecido para Deus, portanto Ele é surpreendido com as situações e, por isso, vai reagir de diferentes maneiras de acordo com os fatos que a realidade vai lhe apresentando. Veja o que Piper (2006, p. 113) também afirma sobre o assunto: O teísmo aberto é o teísmo do livre-arbítrio levado a seu extremo lógico no aspecto de que argumenta que, à medida que Deus nos deu o livre-arbítrio libertário, nem mesmo ele pode saber quais escolhas faremos; desse modo, a porção do futuro que será determinada pelas escolhas livres humanas ainda não feitas está “aberta” e é desconhecida tanto para ele quanto para nós. Além do que essa concepção do teístas relacionais nada mais é do que uma abertura no que diz respeito a presciência de Deus, pois relativiza também esse atributo de Deus ao afirmar que Deus não é conhecedor do futuro que decorre das escolha humanas, visto que este ainda não é conhecido nem mesmo daqueles que vão fazer tal escolha. Veja o que Daniel (2007, p. 165) afirma sobre o tema: Segundo o teísmo aberto, como Deus desconhece o futuro, Ele aprende com as realidades à medida que elas vão acontecendo. O Deus da Teologia Relacional é vulnerável, comete erros, aprende com eles e muda de posição. Deus muda seus planos constantemente. Por isso, os adeptos desse pensamento ensinam que é errado afirmar que quando a Bíblia fala que Deus “arrependeu-se” está usando um antropomorfismo. Para eles, Deus arrependeu-se mesmo. Ele mudou de ideia. Deus é mutável. Ele é totalmente passível de influências do ser humano. Assim, os teístas relacionais acreditam realmente que Deus muda de ideia de acordo com a forma que as circunstâncias se apresentam, sendo, portanto, passível de arrepender-se de suas atitudes e mudar de postura diante dos fatos. 3.2 Confissão Positiva ou Movimento da Fé O movimento da Confissão Positiva é a versão cristianizada do pensamento positivo que professa que o ato de confessar positivamente o que se crê faz com que o desejo confessado aconteça, levando, assim, os cristãos a substituírem a fé em Deus pela fé em si mesmo. É conhecido popularmente como teologia da prosperidade, evangelho da saúde e da prosperidade, palavra da fé ou ainda Movimento da Fé. Esse movimento teve seu início em meados do século XIX, nos Estados Unidos, a partir de uma antiga heresia conhecida como gnosticismo, que ensinava que havia uma verdade mais elevada acessível somente aos iluminados por Deus. A Confissão Positiva foi fundada por Essek William Kenyon, que foi influenciado por Mary Baker Eddy, fundadora da Ciência Cristã, que enfatizava saúde e prosperidade, bem como utilizava a técnica do poder do pensamento positivo. Kenyon, por sua vez, teve suas ideias utilizadas por Kenneth Erwin Hagin, que foi acusado de plagiá-lo, no entanto Hagin tornou-se um dos maiores divulgadores dessa corrente doutrinária com a publicação de inúmeros livros sobre o assunto. Hagin criou o Centro de Treinamento Bíblico Rhema, que hoje é um dos maiores e mais influentes ministérios do mundo. O Movimento da Fé encontrou acolhida de seus ensinamentos em inúmeros ministérios brasileiros, tais como: Igreja Verbo da Vida, Comunidade Rema do Morro Grande, Igreja Internacional da Graça de Deus, Ministério Cristo Salva, Igreja Evangélica Cristo Vive, Igreja Universal do Reino de Deus, Ministério Palavra da Fé (Igreja Nacional do Senhor Jesus Cristo), dentre outras. Um dos pressupostos fundamentais da Confissão Positiva é que o cristão deve ser próspero e livre de qualquer enfermidade, pois, segundo eles, se isto não acontecer é porque o cristão não tem fé ou está vivendo em pecado. Romeiro (2007, p. 19) sobre o assunto expõe: Essa corrente doutrinária ensina que qualquer sofrimento do cristão indica falta de fé. Assim, a marca do cristão cheio de fé e bem-sucedido é a plena saúde física, emocional e espiritual, além da prosperidade material. Pobreza e doença são resultados visíveis do fracasso do cristão que vive em pecado ou possui fé insuficiente. Nessa perspectiva, o cristão não pode em hipótese alguma vivenciar derrotas ou fracasso, quer no aspecto financeiro ou de sua saúde, pois os pregadores desse movimento afirmam que a prosperidade financeira, assim como a saúde, são os indicativos da fidelidade do cristão a Deus, bem como da manifestação da sua fé. Hagin afirma ter recebido uma revelação do próprio Jesus que lhe ensinou a “fórmula da fé” para obter tudo que desejar. Renovato (2007, p. 180) afirma sobre o exposto: É o terceiro ponto da teologia da prosperidade. Ela está incluída na “fórmula da fé”, que Haggin diz ter recebido diretamente de Jesus, que lhe apareceu e mandou escrever de 1 a 4, a “fórmula”. Se alguém deseja receber algo de Jesus, dizia ele, basta segui-la: 1. “Diga a coisa”. “Positiva ou negativamente, tudo depende do indivíduo. De acordo com o que o indivíduo quiser, ele receberá.” Essa é a essência da confissão positiva.(...) 2. “Faça a coisa”. “Seus atos derrotam-lhe ou lhe dão vitória. De acordo com sua ação, você será impedido ou receberá.” Para o confesso triunfalista, ele pode fazer tudo o que quiser, de acordo com sua fé. Nada o impedirá. 3. “Receba a coisa”. “Compete-nos a conexão com o dínamo do céu. A fé é o pino da tomada. Basta conectá-lo. Podemos perceber o ar de auto-suficiência que essa doutrina passa para as pessoas. Basta querer, ter fé, e tudo receberá! 4. “Conte a coisa”. “A fim de que outros também possam crer. É o testemunho das bênçãos recebidas. (...) Assim, os propagadores desse movimento afirmam que não se faz necessário submeter os pedidos à vontade de Deus, visto que é a confissão que gera as coisas, ou seja, as coisas só passarão a existir se forem declaradas com fé. Desse modo, os adeptos dessa doutrina não submetem seus pedidos à vontade de Deus, pois acreditam que se assim o fizerem não estarão utilizando a fé, já que, segundo esses doutrinadores, utilizar a expressão “se for a tua vontade” destrói a fé, portanto o homem dever trazer a existência o que deseja através da declaração de sua boca, visto que a fé manifesta-se através da confissão. Os teólogos da prosperidade para justificarem seus ensinamentos afirmam que receberam autoridade espiritual de Deus para serem seus porta-vozes nos dias atuais. Eles professam que o homem é uma encarnação de Deus e que as pessoas não tem um deus dentro de si, mas que cada um é um Deus. Veja o que expõe Renovato (2007, p. 180) sobre o assunto: Veja o que disseram alguns desses “mestres da fé”: “Você é tanto uma encarnação de Deus quanto Jesus Cristo o foi...”(Hagin, Word of Faith, 1980, p. 14). “Você não tem um deus dentro de você. Você é um Deus”(Kenneth Copeland, fita cassete The Force of Love, BBC-56). “Eis quem somos: somos Cristo!” (Hagin, Zoe: A Própria Vida de Deus, p. 57). “Eu sou um pequeno Messias”. (...) Assim, os doutrinadores da Confissão Positiva acreditam serem a própria encarnação de Deus, portanto seus desejos são os desejos do próprio Deus, pois, de acordo com sua visão, seria incoerente submeterem a sua vontade, que é a do próprio Deus, à Deus, visto que eles se consideram o próprio Cristo. 3.3 Evangelho da Auto-ajuda As igrejas evangélicas da atualidade na busca de responder os anseios do ser humano moderno, que tenta satisfazer as exigências da contemporaneidade, pregam um evangelho permeado dos princípios da auto-ajuda. Norman Vincent Peale, que fundiu a teologia com a psicologia e criou a psicologia cristã, é considerado o pioneiro na pregação desse evangelho denominado de Evangelho da Auto-ajuda. Esse ensinamento, devido suas idéias humanistas, encontrou inúmeros divulgadores como: Robert Schüller, Charles Swindoll, Charles Stanley, Josh McDowell, Anthony Hoekema, Norman Geisler, James Dobson, Rick Warren, Joel Osteen, dentre outros. A Revista Veja, na edição 1964, veiculou como manchete da capa a matéria intitulada O Pastor é Show!, fazendo alusão justamente a essa nova tendência dos pastores da atualidade pregarem um Evangelho de Auto-ajuda embasado na psicologia. Sobre o assunto, a Veja ressalta o seguinte: A nova geração de líderes evangélicos achou um caminho muito mais certeiro e útil de chegar ao coração dos fiéis: o da auto-ajuda. A promessa é a mesma que ofereciam pentecostais e neopentecostais da geração passada: o da felicidade e prosperidade aqui e agora. Só que, para alcançá-las, os novos pastores sugerem outras ferramentas: além da fé, o bom senso; somado à intervenção divina, o esforço individual. Assim, os líderes evangélicos já não abordam a essência do evangelho como faziam os primeiros apóstolos, sua pregação hoje tem como foco o homem, bem como a racionalização do uso de seu potencial em prol de conseguir sucesso em todas as áreas de sua vida. A Auto-ajuda surgiu como forma de responder a necessidade humana de superar suas limitações a fim de adequar-se as exigências de uma sociedade em que o consumismo e a aquisição de bens expressam quem as pessoas são ou o modo como elas gostariam de serem vistas. Veja o que expõe Bessa (2008, p. 24): O discurso que sustenta o mercado responde à indústria da cultura, que defende o consumismo e a aquisição de bens como resposta à sensação de inadequação. Nessa cultura, as mercadorias são mais que objetos, elas sinalizam quem as pessoas são ou, ao menos, como gostariam de serem vistas. Ou, como menciona Rudiger: [...] parece-nos correta a hipótese de que as tendências de auto-ajuda surgidas nos últimos anos na verdade são, genericamente, uma forma de conciliar os valores hedonistas, promovidos pela indústria da cultura com as demandas profissionais do sistema empresarial. Com ele concorda Mário Maestri, doutor em história, para quem a literatura de auto-ajuda é empobrecedora, por defender soluções mágicas, pautada por uma ótica capitalista, que privilegia a irracionalidade. Esse tipo de evangelho, pregado com base na auto-ajuda, endossa a satisfação da vontade humana, propagando, assim, os valores hedonistas, em que a busca do prazer individual e imediato é a única finalidade da vida. Os teólogos dessa corrente doutrinária levam os homens a recuperarem sua auto-confiança a partir da crença na identidade humana de filho de Deus e que, por isso, o homem tem direito de receber todos os benefícios provenientes de seu Pai, que, nessa perspectiva, seria uma vida plena de sucesso e felicidade. O Evangelho da Auto-ajuda faz uso da Bíblia para pregações unicamente motivacionais, ou seja, são utilizados textos bíblicos com a finalidade de motivar o cristão a mudar sua realidade e conquistar o sucesso almejado. Daniel (2007, p. 187) expõe sobre o assunto: Os evangelistas da auto-ajuda não pregam a inteireza da mensagem bíblica. Apenas apresentam as Escrituras como um aglomerado de histórias inspirativas e frases de auto-ajuda. “Todo o conselho de Deus” (At 20.27) não é apresentado, mas apenas aquelas passagens cujo conteúdo pode ser usado como material motivacional, para extrair lições que venham ajudar as pessoas a superar conflitos pessoais corriqueiros, que oriente as pessoas sobre pequenas questões do dia-a-dia. Assim, são selecionados e ganham relevância apenas alguns textos bíblicos, em detrimento de outros, que tenham lições que possam auxiliar as pessoas a superarem conflitos pessoais e orientá-las a enfrentarem as mais diversificadas situações que se apresentem. Procedendo dessa forma, seus pregadores evitam falar de doutrinas bíblicas impopulares atualmente. O evangelho da auto-ajuda, como o próprio nome já denuncia, seria aquele em que o homem se auto-ajuda, ou seja, ele ajuda a si mesmo, portanto tem como fundamento a centralização do ego humano, pois este, por sua vez, significa a pessoa em si mesma, visto que a centralização se dá em torno do próprio homem. MacMahon (2007, p. 13) explanou sobre o assunto: Para que possamos entender melhor quais eram as preocupações de Paulo, é necessário que iniciemos pela definição do termo “ego”. Significa simplesmente a pessoa em si mesma. Que dizer eu – e tudo o que compreende o meu ser. Nesse caso, ser um amante de mim mesmo significa que eu me amo em primeiro lugar e acima de tudo. O ego domina, por completo, o meu coração, a minha mente, a minha vontade e a minha consciência.(...) Desse modo, percebe-se que o ego passou a ser o centro da vida humana, pois a humanidade passou a ser o referencial de todas as coisas, portanto o homem tenta resolver seus problemas por conta própria, ou seja, no ser humano encontra-se o potencial necessário para a solução de todos os problemas. Essa corrente doutrinária fundamenta suas crenças nas teorias evolucionista e humanista, que acreditam que a humanidade passa a ter como referencial a si mesma, excluindo, assim, Deus do centro da vida do homem. MacMahon (2007, p. 13) afirma o seguinte: Ao excluir-se Deus do cenário da vida, resta-nos apenas o “ego” ( ou melhor, o deus “Ego”), de modo que a humanidade passa a ser o referencial de todas as coisas.(...) Essa crença evolucionista e humanista postula que no íntimo do ser humano encontra-se o potencial completo e necessário para que surjam as soluções de tais problemas. The Humanista Manifesto I [O Manifesto Humanista I] declara: “O homem finalmente está cônscio de que somente ele é responsável pela concretização do mundo de seus sonhos, de que possui dentro de si mesmo o poder para tal façanha”.(...) Assim, de acordo com essa perspectiva, o homem passa a crer que as curas dos males da humanidade encontram-se dentro do próprio homem, excluindo dessa maneira Deus da centralidade, ou seja, há uma independência do homem de Deus, portanto a esperança de um mundo melhor só depende exclusivamente do homem, que possui o potencial para resolver todos os problemas.

COMO AS FALSAS DOUTRINAS MINAM À IGREJA CRISTÃ PÓS-MODERNA


COMO AS FALSAS DOUTRINAS MINAM A IGREJA CRISTÃ PÓS-MODERNA? As falsas doutrinas infiltram-se na igreja cristã pós-moderna com muita facilidade na atualidade pelo fato da sociedade ser relativista, contudo é relevante relembrar que a fonte objetiva de autoridade da igreja cristã é a Bíblia, visto que muitas posições doutrinárias são inaceitáveis à luz da Palavra de Deus. De acordo com as Sagradas Escrituras, Jesus Cristo é a Pedra Angular (Mateus 21.42) sobre a qual a igreja cristã foi fundada, portanto seus ensinamentos, que se encontram registrados na Bíblia, são imutáveis e constituem-se a base doutrinária das igrejas cristãs. Com base no que foi exposto, pode-se concluir que a defesa da fé cristã exige que se busque embasamento bíblico-doutrinário, pois a Bíblia é o alicerce do desenvolvimento de uma teologia genuinamente cristã. A própria Bíblia testifica de si mesma que é a verdade em João 17.17 quando afirma: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.”(versão Almeida, Revista e Atualizada) Assim, entende-se que as falsas doutrinas minam o alicerce da igreja cristã pós-moderna, visto que seus ensinamentos doutrinários contrariam as verdades bíblicas desvirtuando os fundamentos da ortodoxia cristã. Como foi citado no presente trabalho, o teísmo aberto é uma das doutrinas que minam o alicerce da igreja cristã pós-moderna, pois sua doutrina levanta dúvidas quanto a preceitos considerados basilares para o cristianismo, portanto seus ensinamentos acabam por constituírem-se em heresia. Um dos pilares do teísmo aberto que mina a fé da igreja cristã é a afirmação de que Deus desconhece o futuro, pois leva o homem a descrer na presciência de Deus. Piper, Taylor, Helseth (2006, p. 238) sobre o assunto ressaltam que “O teísmo aberto desafia a base da teologia cristã tradicional ao discutir que Deus não conhece com certeza as decisões futuras e os atos livres de suas criaturas.” Tal desvio é inconcebível para o desenvolvimento da igreja cristã, já que prega a limitação de Deus em interferir no futuro, visto que para Ele este é desconhecido, portanto a humanidade estaria diante de um Deus impotente que nada pode fazer em relação ao futuro, já que este é resultado da ação livre dos homens, portanto Deus não pode conhecê-lo. Esse ensinamento do teísmo aberto é totalmente contrário a base do cristianismo, que prega que Deus tem como um de seus atributos fundamentais a onisciência, ou seja, Deus conhece tudo, como está na Bíblia em Hebreus 4.13 que afirma: “E não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas.” Ainda pode-se certificar da onisciência de Deus em Jeremias 23.23-24 que diz: “Acaso sou Deus apenas de perto, diz o Senhor, e não também de longe? Ocultar-se-ia alguém em esconderijos, de modo que eu não o veja? Diz o Senhor; por ventura não encho eu os céus e a terra? Diz o Senhor.” Em Daniel 2.21-22 também verifica-se a magnitude da onisciência de Deus ao afirmar que: “É ele quem muda o tempo e as estações, remove reis e estabelece reis; ele dá sabedoria aos sábios e entendimento aos entendidos. ele revela o profundo e o escondido; conhece o que está em trevas, e com ele mora a luz.” Percebe-se, além disso, que esta heresia levaria a outra, pois se Deus desconhece o futuro e, portanto, não pode interferir nele, colocaria por terra outro atributo de Deus que é a onipotência. Assim, diante do exposto, surgem vários questionamentos importantes: a igreja que segue tais heresias estaria servindo a um Deus verossímil? Pois se esse Deus pregado pelo teísmo aberto é destituído de atributos imprescindíveis a uma entidade divina suprema, como onisciência e onipotência, estariam os seguidores dessa doutrina acreditando em um Deus legítimo? Desse modo, teria sentido para os cristãos orarem por um Deus que nada pode fazer em relação ao futuro, pois este lhe é desconhecido? Os teístas abertos com essa afirmação de que Deus desconhece o futuro refutam várias profecias bíblicas que se cumpriram ao longo dos séculos, tais como: Isaías 7.14, quando o profeta anunciou a chegada do Messias; Isaías 9.1-7, o sinal do Messias; Isaías 40.3, ministério de João Batista; Isaías 53.1-12, o sofrimento e triunfo do Messias; Isaías 61.1-11, o ministério do Messias; Salmo 22, sofrimento e vitória do Messias; Malaquias 3.1, a vinda de João Batista; Miquéias 5.2, o rei vindouro; dentre muitas outras. Além do mais, pode se afirmar que Deus era conhecedor do destino da humanidade, ou seja, do seu futuro, pois Ele sabia antes da fundação do mundo que Adão iria pecar, portanto preparou o cordeiro para expiação do pecado humano antes que os fundamentos da Terra fossem formados, como pode se verificar em Apocalipse 13.8 que diz: “e adorá-la-ao todos os que habitam sobre a terra, aqueles cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo.” e que se confirma em I Pedro 1. 19-20 que expressa: “mas pelo precioso sangue de Cristo, conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo, porém manifestado nos fins dos tempos, por amor de vós”. Esse preceito do teísmo aberto que afirma que Deus desconhece o futuro, pelo fato do homem possuir livre-arbítrio, pode ser totalmente refutado através de vários fundamentos bíblicos, como se pode constatar também, por exemplo, no Salmo 139.1-4 que diz: Senhor, tu me sondas e me conheces. Sabes quando me assento e quando me levanto; de longe penetras os meus pensamentos. Esquadrinhas o meu andar e o meu deitar e conheces todos os meus caminhos. Ainda a palavra me não chegou à língua, e tu, Senhor, já a conheces toda. Portanto, a alegação do teísmo aberto que Deus não sabe as decisões que o homem vai tomar quanto ao futuro é infundada, visto que a Bíblia afirma que Deus conhece os pensamentos do homem, bem como suas palavras antes mesmo de serem faladas. Outro preceito do teísmo aberto que abala os fundamentos da igreja cristã é afirmar que o maior atributo de Deus é o amor, pois dessa forma menospreza os demais atributos relevantes de Deus, tais como: justiça, santidade, soberania, verdade, imutabilidade, infinitude, unidade, simplicidade, eternidade, onipresença, onisciência, onipotência e liberdade. Dessa forma, o teísmo aberto, diferentemente da teologia clássica, adota a posição de centralizar um único atributo de Deus, sem levar em consideração que todos os atributos de Deus fazem parte de sua essência. Nessa perspectiva, os teólogos do teísmo aberto consideram o amor como atributo fundamental de Deus, ou seja, o maior atributo de Deus seria o amor, adotando assim as idéias de Ritschl sobre o assunto. Veja o que Frame (2006, p.46) expõe: Os teólogos erram ao pensar que a centralidade do seu atributo favorito exclui a centralidade de outros atributos. Esses escritores estão (como muitas vezes acontece com os teólogos) certos no que afirmam, mas errados nas coisas que negam. Ritschl está certo ao dizer que o amor é a essência de Deus, mas errado ao dizer que santidade não é. E esse tipo de erro geralmente vem ligado a outros erros teológicos. Na maioria das vezes, quando um teólogo centraliza o amor de Deus em contraste com outros atributos, a sua isenção é, contrariando as escrituras, lançar dúvida sobre a realidade ou intensidade da ira e do julgamento de Deus. Esse foi o caso de Ristchl e é o caso de alguns evangélicos modernos. Portanto, diante dessa abordagem do amor como o maior atributo de Deus, os teólogos do teísmo aberto erram apenas no sentido de desconsiderar outros atributos também essencialmente importantes para o entendimento da complexidade da essência de Deus. Esse ensinamento constitui-se uma heresia, visto que pela própria definição de atributo de Ryrie (1994, p. 1626), que “é uma propriedade intrínseca ao seu sujeito, pela qual ele pode ser distinguido ou identificado.”, Deus não pode ser visto apenas de uma única perspectiva, pois não revelaria o verdadeiro caráter de Deus, ou seja, Ele não poderia ser conhecido em sua plenitude. Os teólogos do teísmo aberto, ao defenderem que o amor se sobrepõe aos demais atributos de Deus, incorrem no erro de darem menos importância aos demais atributos de Deus, tornando-os menos significativos que o amor, como se Deus pudesse ser dividido em partes e apenas uma dessas partes fosse a mais importante. Berkhof (2007, p. 44) afirma o seguinte a esse respeito: Da simplicidade de Deus segue-se que Deus e seus atributos são um. Não devemos considerar os atributos como outras tantas partes que entram na composição de Deus, pois, ao contrário dos homens, Deus não é composto de diversas partes. Tampouco devemos considerá-los como alguma coisa acrescentada ao Ser de Deus, embora o nome, derivado de ad e tribuere, pareça apontar nessa direção, pois nenhum acréscimo jamais foi feito ao Ser de Deus, que é eternamente perfeito. Comumente se diz em teologia que os atributos de Deus são o próprio Deus, como ele se revelou a nós.[...] Na verdade, não há limitações do ser divino e de seus atributos, porque Deus é perfeito. Sem corpo, portanto, sem extensão espacial. Ele não está limitado pelo universo ou por esse mundo em relação a tempo e espaço. A infinitude dos atributos de Deus é relativa no imaginário humano, porém vai infinitamente além da capacidade de entendimento do homem e, portanto, só por Deus pode ser compreendida. Essa perspectiva dos teístas abertos é impossível de se conceber, porque Deus não pode manifestar mais um atributo do que outro, pois isto descaracterizaria sua natureza divina. Por exemplo, Deus não pode ser mais amor em detrimento da justiça ou vice-versa, pois sua perfeição só pode ser manifesta através de todos os seus atributos, visto que possuem a mesma relevância, já que são intrínsecos a Deus, ou seja, eles compõem o próprio Deus, portanto são imprescindíveis para que os homens possam compreendê-lo. Outro preceito do teísmo aberto que vem contrapor a doutrina cristã e, assim, prejudicar o desenvolvimento da igreja cristã pós-moderna de forma salutar é a afirmativa de que Deus se arrisca, pois esses teólogos acreditam que Deus se arriscou ao conferir o livre-arbítrio aos homens e aos anjos. Convém ressaltar que Deus ao conferir o livre-arbítrio aos homens e aos anjos não o conferiu de modo que permitisse a eles interferirem no seu plano genuíno. Assim, o plano original de Deus é imutável, não sofre interferência do livre-arbítrio conferido aos homens e aos anjos. Essa afirmação pode ser constatada quando Deus expressa nas Escrituras Sagradas em Apocalipse 13.8: “e adorá-la-ão todos os que habitam sobre a terra, aqueles cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo.” Diante do que foi exposto, pode-se refutar completamente a afirmação dos teístas abertos de que Deus se arrisca, visto que Deus não se arriscou ao dar o livre-arbítrio aos homens e aos anjos, pois Ele já sabia tudo o que ia acontecer, que satanás e o homem iriam cair, tanto é que Ele já determinou a morte do Cordeiro, Jesus Cristo, desde a fundação do mundo, portanto isso tudo só vem confirmar a onisciência de Deus. Além do mais, é relevante também afirmar que Deus não se arrisca, visto que a sua vontade quanto aos atos humanos é permissiva, pois Deus pela sua vontade permitiu o pecado pela certeza de que isso viria acontecer. Mesmo de acordo com a vontade preceptiva, Deus não se compraz no pecado. A soberania de Deus está expressa não somente na sua vontade divina, mas também na onipotência de Deus e também em seu poder de executar a sua vontade. Seu poder absoluto é capaz de fazer o que Ele não faz, mas tem possibilidade de ser feito, pois Deus poderia impedir que o fato acontecesse, no entanto, devido a sua vontade permissiva, não o faz. Do exposto, depreende-se que o mal não é a vontade de Deus, mas um ato permissivo da soberania de Deus. Sobre o assunto, Frame (2006, p. 55) afirma: Já vimos que Deus controla as decisões livres dos seres humanos, controlando particularmente o coração, que é o centro da existência humana. Porém, como Deus disse por intermédio do profeta Jeremias, o coração das pessoas decaídas é pecaminoso (Jr 17.9). As pessoas escolhem fazer o mal livremente, pois agem de acordo com os seus desejos verdadeiros – mas isso não quer dizer que elas não estão sob o controle de Deus. Portanto, as pessoas manifestam as suas ações de acordo com os desejos do seu coração, no entanto, tudo está sob o controle de Deus, visto que todas as coisas só acontecem com a permissão de Deus, embora não seja o seu propósito que aconteçam coisas ruins, mas estas ocorrem por causa do coração pecaminoso do homem. Assim, Deus pela sua vontade permissiva concedeu ao homem o direito de escolha, por exemplo, quando disse a Adão em Gênesis 2.17 que “da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerá; porque no dia que dela comeres, certamente morrerás.”; ao afirmar “no dia que dela comeres”, Deus deu a Adão o livre-arbítrio para comer ou não do fruto da árvore, no entanto, este livre-arbítrio concedido por Deus é permissivo, pois é decorrência da sua vontade soberana. Portanto, Deus não se arrisca, pois todo ato humano decorre exclusivamente da sua vontade suprema. Conclui-se, portanto, que esse aspecto doutrinário do teísmo aberto, que afirma que Deus se arrisca, é faccioso e, por conseguinte, abala o fundamento da igreja cristã, pois retiraria a confiança dos cristãos em um Deus soberano, que segundo o seu propósito permite que os homens manifestam a sua vontade livremente sem que esta se contraponha a soberania de Deus. Outro preceito do teísmo aberto que se contrapõe as bases doutrinárias do cristianismo é a afirmativa de que Deus não é tão soberano assim. Eles afirmam que Deus não pode realizar tudo que deseja e que depende das decisões humanas. Veja o que Berkhof (2007, p. 73) explana sobre o assunto: A soberania de Deus recebe forte ênfase na Escritura. Ele é apresentado como o Criador, e sua vontade como a causa de todas as coisas. Em virtude de sua obra criadora, o céu, a terra e tudo o que eles contêm lhe pertencem. Ele está revestido de autoridade absoluta sobre as hostes celestiais e sobre os moradores da terra. Ele sustenta todas as coisas com a sua onipotência, e determina os fins que elas estão destinadas a cumprir.[...] Esse pressuposto, portanto, constitui-se numa heresia, pois restringe a soberania de Deus, o que é impossível, visto que esse atributo é intrínseco a divindade de Deus, portanto dizer que Deus é soberano em alguns aspectos e em outros não é o mesmo que afirmar que Ele só é Deus no que discerne a algumas questões e outras não. A autonomia de Deus é um fato comprovado por sua auto-existência. A existência de Deus não foi precedida por uma causa, porque Ele subsiste em si mesmo. O termo asseidade substituído pelos teólogos por independência refere-se não somente ao seu ser, mas também a tudo. Além de auto-existente, Ele é a auto-existência de todas as coisas e tudo depende dele. A Bíblia a esse respeito em Atos 17.28 diz: “Pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos, como algum dos vossos poetas tem dito: porque dele também somos gerados.” Sua independência e auto-existência dá-nos a certeza de que Ele é eterno e soberano sobre a sua criação. Além disso, o criador pela sua vontade é a causa de todas as coisas. Criou o céu e a Terra e tudo o que neles contém lhe pertence. Ele está revestido de autoridade absoluta sobre tudo o que Ele criou tanto nos céus como na Terra. Sustém todas as coisas pela sua onipotência e determina o cumprimento da sua vontade pela sua soberania. A vontade de Deus é a causa final de todas as coisas como lemos nas Escrituras em Efésios 1.11 que diz: “Nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade.” Pode-se verificar a soberania de Deus também em Colossenses 1.16-17 que afirma: Pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste. Desse modo, a vontade humana também está submetida a soberania de Deus, pois tudo o que existe foi feito por Ele e para o cumprimento do seu propósito, portanto Deus não depende das decisões humanas, visto que o próprio homem foi criado em conformidade com a sua vontade. Assim, Deus pode realizar tudo o que deseja independentemente das ações humanas, pois sua soberania é decorrente justamente do fato de todas as coisas terem sido criadas por Ele e se submeterem a sua vontade. Dessa forma, fica comprovado que a soberania de Deus não pode ser diminuída em decorrência da vontade humana. Outro preceito do teísmo aberto que prejudica os ensinamentos doutrinários da igreja cristã pós-moderna é a assertiva que Deus comete erros, aprende e muda, pois se contrapõe ao atributo da imutabilidade de Deus. Berkhof (2007, p. 58) ressalta que: A imutabilidade de Deus é necessariamente concomitante com a sua asseidade. É a perfeição pela qual não há mudança nele, não somente em seu Ser, mas também em suas perfeições, em seus propósitos e em suas promessas. Em virtude desse atributo, ele é exaltado acima de tudo quanto há, e é imune de todo acréscimo ou diminuição e de todo desenvolvimento ou decadência em seu Ser e em suas perfeições. Seu conhecimento e seus planos, seus princípios morais e sua volições permanecem sempre os mesmos. Até a razão nos ensina que não é possível nenhuma mudança em Deus, visto que qualquer mudança é para melhor ou pior. Mas em Deus, perfeição absoluta, melhoramento e deterioração são igualmente impossíveis.[...] Logo, Deus em sua perfeição absoluta é um Ser que não pode mudar, não somente em sua essência, mas também em tudo aquilo que resulta de seus desígnios, portanto, devido a imutabilidade intrínseca de seu Ser, n’Ele não há variação. Há que se ter em conta, ainda, que Deus não pode cometer erros, pois com Ele está o poder tanto daquele que erra como o do que faz errar, como se pode constatar em Jó 12.16 que afirma: “Com ele está a força e a sabedoria; seu é o que erra e o que faz errar.” Deus também não pode aprender com seus erros, porque, além d’Ele possuir o controle de tudo, inclusive do que erra e do que faz errar, sua perfeição também abrange todo conhecimento existente, como se pode constatar na Bíblia em Jó 37.16 que diz: “Tu tens notícias do equilíbrio das nuvens e das maravilhas daquele que é perfeito em conhecimento?” Assim como o conhecimento humano também é proveniente de Deus de acordo com as Escrituras em Jó 38.36 que afirma: “Quem pôs a sabedoria no íntimo, ou quem à mente deu o entendimento?” Portanto, é impossível Deus aprender alguma coisa, pois nele já está todo o conhecimento e Ele é quem dá este ao homem. Embora as relações de Deus com o homem sejam multiformes e cercadas de mudanças, Ele não muda na sua essência, nos seus propósitos, nos seus motivos de ação e nem em suas promessas, como o exposto em Malaquias 3.6: “Porque Eu, o Senhor, não mudo.”. As mudanças de posicionamento de Deus só acontecem em conformidade com o seu propósito, ou seja, os estatutos e os desígnios de Deus para a humanidade já foram estabelecidos antes da fundação do mundo, portanto, Deus não muda seu plano original. A mudança que ocorre é a do homem, que pode arrepender-se e submeter-se aos propósitos de Deus. Frame (2006, p. 128) expõe o seguinte sobre o assunto: Por conseguinte, os teólogos têm dito muitas vezes que Deus não muda “em si mesmo”, mas muda “em seu relacionamento com as criaturas”. Quando Orlando, na Florida, sofre uma onda de calor, não é porque o sol ficou mais quente, mas porque Orlando se encontra numa relação diferente com ele. É o que diz Herman Bavinck: “Qualquer que seja a mudança, ela se encontra integralmente na criatura”. Quando Deus “muda" sua atitude da ira para o favor, é porque a criatura se moveu da esfera de Satanás para a esfera de Cristo. Quando o homem muda da esfera de Satanás para a esfera de Cristo, Deus perdoa o homem, mas isso, no entanto, não significa que Deus mudou, pois o seu propósito original é justamente de salvar o homem, então quando o homem se arrepende de seus maus caminhos volta para o projeto original de Deus. Da mesma forma sucede quando o homem rebela-se contra Deus, que no seu plano inicial já havia determinado para os rebeldes a morte eterna, então Deus não muda de posicionamento, o homem é que muda e se encaixa num dos planos de Deus, seja de morte ou de salvação, que já haviam sido pré-determinados. Pode-se constatar a imutabilidade de Deus em II Timóteo 2.13 que afirma: “Se somos infiéis, Ele permanece fiel, pois de maneira nenhuma pode negar-se a si mesmo.” O exposto acima é bastante evidente em inúmeros momentos da narrativa bíblica como, por exemplo, em II Crônicas 7.14 que diz: “Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, orar e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra.” Essa passagem não implica na mudança de Deus, pois Ele é imutável, mas numa mudança de posicionamento do seu povo que passa a cumprir os seus estatutos e, assim, a gozar dos benefícios daqueles que vivem de acordo com a vontade de Deus. Esses ensinamentos do teísmo aberto expostos acima minam o fundamento da igreja cristã pós-moderna, porque desvirtuam a crença nos atributos de Deus que revelam sua magnitude, levando o homem a acreditar em um Deus que não tem todos os poderes que afirma ter na Bíblia; induzindo, assim, os cristãos ao erro de deixarem de colocar sua confiança totalmente em Deus, pois leva a crer que o homem constrói o futuro juntamente com Deus, e isso não é verdade, pois os planos originários de Deus, como o da salvação, que já existia antes da fundação do mundo, mostram que Deus é pleno na sua onisciência e na sua onipotência. A confissão positiva, outra corrente doutrinária mencionada anteriormente no presente trabalho, e que está sendo retomada no presente capítulo, também destrói o fundamento da igreja cristã pós-moderna, pois seus preceitos também se constituem em desvios doutrinários à luz das escrituras. Uma das premissas da confissão positiva que deve ser refutada, pois discorda das verdades bíblicas, é a de que se o cristão não for próspero financeiramente e não tiver saúde é porque ele não tem fé ou vive no pecado. Essa afirmação cria uma concepção totalmente errônea do evangelho, já que propaga a idéia de que o homem terá a satisfação plena de seus anseios aqui na terra. Nessa perspectiva, percebe-se que a teoria da confissão positiva é errônea, pois Jesus Cristo, o filho de Deus, que desceu do céu, não manifestou essa prosperidade na Terra para servir de exemplo para seus seguidores. Ele afirma de si mesmo em Mateus 8.20 que: “Mas Jesus respondeu: As raposas têm seus covis e as aves do céu, ninhos; mas o filho do homem não tem onde reclinar a cabeça.” Jesus quando esteve na terra, o fez na condição de servo, ou seja, submeteu-se à vontade de Deus, pois nem em suas orações e nem em seu ministério em nenhum momento usurpou ser igual a Deus. Veja o que Romeiro (2007, p. 61) expõe sobre o assunto: Qualquer pessoa que examinar com cuidado os evangelhos perceberá que a tônica da vida e do ministério do Senhor Jesus era fazer a vontade do Pai. Examine, por exemplo, João 4:34; 5:30; 6:38; 7:17. Quando ensinou os seus discípulos a orar, Jesus inclui na oração: “Faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu”. Será que Jesus estava errado? A conclusão óbvia é que não. Não tenho qualquer problema em orar “se for da tua vontade”, pois isto me coloca em boa companhia. Jesus orou no Getsêmani: “Aba, Pai, tudo te é possível; passa de mim este cálice; contudo, não seja o que eu quero, e, sim, o que tu queres” (Mc 14:36). E novamente: “Meu Pai, se não é possível passar de mim este cálice sem que eu o beba, faça-se a tua vontade” (Mt 26:42). João escreveu ainda: “Se pedirmos alguma cousa segundo a sua vontade, ele nos ouve” (1Jo 5:14). É possível inferir dos ensinos de Cristo que o homem deve submeter seus pedidos a vontade de Deus, demonstrando, desse modo, que os ensinamentos da confissão positiva que dizem que não se deve orar “se for da vontade de Deus” contrária totalmente os ensinamentos bíblicos, pois, segundo eles, essa forma de orar indicaria falta de fé. Acreditar nessa doutrina da confissão positiva, seria o mesmo que acreditar que o próprio filho de Deus não teria tido fé suficiente para manifestar a prosperidade aqui na Terra. Essa maneira de pensar constitui-se numa heresia, pois Jesus não foi rico materialmente, no entanto, manifestou poderosamente a sua fé, visto que em seu ministério operou inúmeras curas, libertações, milagres e ainda ressuscitou mortos. Convém ainda ressaltar que, o próprio Jesus afirmou em Mateus 26.11 que: “Os pobres sempre tende convosco, mas a mim nem sempre me tendes.” Vê-se, assim, que Jesus deixou bem claro que a pobreza existira, portanto não há algo errado em ser pobre como querem os teólogos da confissão positiva fazerem as pessoas crer. Além do mais, o próprio Jesus não tinha consigo dinheiro algum quando entrou com Pedro na cidade de Cafarnaum e precisou pagar o imposto, como está expresso em Mateus 17.27: “Mas, para que não os escandalizemos, vai ao mar, lança o anzol, e o primeiro peixe que fisgar, tira-o; e abrindo-lhe a boca, acharás um estáter. Toma-o, e entrega-lhes por mim e por ti.” Com o exemplo desse milagre da moeda retirada da boca de um peixe, pode-se perceber que Jesus poderia ser materialmente rico, porque Ele mostrou que possuía poder para executar qualquer milagre, inclusive financeiro; no entanto, em seu ministério sempre deixou claro que os cristãos não deveriam colocar seu coração nas riquezas materiais e, sim, buscar primeiro o reino de Deus e a sua justiça, como está exposto em Mateus 6.33: “Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas cousas vos serão acrescentadas.” Há ainda que se falar que Pedro, apóstolo de Jesus, ao encontrar um mendigo na entrada do templo em Jerusalém não tinha uma esmola para dar-lhe, mas deu-lhe um tesouro muito maior como está expresso nas escrituras em Atos 3.6 que diz: “Pedro, porém, lhe disse: Não possuo nem prata nem ouro, mas o que eu tenho, isso te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, anda!” Romeiro (2007, p. 70) expõe o seguinte: Outro incidente de extrema importância para nossa análise encontra-se no livro de Atos. Quando Pedro e João chegaram à porta do templo, chamada Formosa, um coxo pediu-lhes uma esmola. Pedro disse ao paralítico: “Não possuo nem prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, anda!” (At 3:1-8), e o homem foi curado. Naturalmente, Pedro e João não estavam debaixo de qualquer maldição, em pecado ou sem fé só porque não tinham nem prata nem ouro. Eles tinham algo melhor, a graça e o poder de Deus. Portanto, Pedro não possuía riqueza material, pois nem sequer uma esmola tinha para dar ao mendigo, no entanto, manifestou o poder da fé em Jesus Cristo ao dar-lhe um tesouro muito maior do que dinheiro que foi a sua cura. Em nenhum momento do ministério desses grandes homens de Deus, que viveram para disseminar o evangelho na Terra, vê-se apologia a busca de bens materiais, muito pelo contrário, o que se viu na igreja primitiva foi a pregação de um evangelho que libertava o homem do seu egoísmo e ganância, como vê-se em Atos 2.44-45: “Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade.” Jesus mesmo exortou que o homem buscasse um tesouro eterno nos céus e que aqui na Terra vendesse os seus bens e repartisse o dinheiro com os pobres, como se pode constatar em Lucas 12.33 quando Jesus disse: “Vendei os vossos bens e daí esmola; fazei para vós outros bolsas que não desgastem, tesouro inextinguível nos céus, onde não chega o ladrão, nem a traça consome(...)”. Ao longo da Bíblia, portanto, constata-se a existência de vários homens tementes a Deus que viviam segundo os seus ensinamentos e que não vivenciaram a saúde física do seu corpo ou a abundância financeira, tais como: Jó, Paulo, Pedro, Timóteo, Elias, Eliseu, o próprio Jesus Cristo, alguns já mencionados acima, dentre muitos outros. Essa crença da confissão positiva contrária totalmente o que as Escrituras versam sobre o assunto, pois nas escrituras vemos o exemplo de Jó, que perdeu tudo o que possuía, inclusive seus filhos, e, ainda, padeceu com uma enfermidade terrível, mas foi reputado como servo justo e fiel na presença de Deus como verifica-se em Jó 1.8 que diz: “Perguntou ainda o Senhor a Satanás: Observaste o meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus, e que se desvia do mal.” Veja o que Romeiro (2007, p. 53) explana sobre o assunto: O próprio Deus dá testemunho da integridade de Jó, de sua sinceridade e seu temor ao Senhor. Foi em meio às grandes provações que Jô deu profundas lições de fé, como está registrado em 13:15: “Ainda que ele me mate, nele esperarei” (Almeida Revista e Corrigida). Há muitas pessoas dispostas a crer em Deus em troca de um belo carro, mansão e outros bens materiais. Poucas estão dispostas a crer nele em meio às adversidades. Pelo exposto, vê-se que não foi falta de fé de Jó ou pecado por ele cometido que o fez passar por tanta adversidade. Na verdade, Jó era homem integro e temente a Deus, mas Deus permitiu que Satanás tocasse nos bens e na família de Jô, no entanto, restringiu a ação de Satanás impedindo que tocasse em sua vida. Isso mostra perfeitamente que o que aconteceu a Jó foi permissão de Deus, pois se Ele restringiu a ação de Satanás poderia também ter impedido todas as demais ações dele, entretanto, não o fez. Há que se falar, ainda, no exemplo de Paulo, que vivenciou tanto a abundância como a escassez material, como a Biblia comprova em Filipenses 4.12-13: “Tanto sei estar humilhado, como ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância, como de escassez. Tudo posso naquele que me fortalece.” E não houve na Bíblia exemplo como o de Paulo que, após Jesus Cristo, foi o maior divulgador do evangelho, no entanto, Paulo vivenciou várias adversidades ao longo de seu ministério, porém jamais demonstrou falta de fé ou muito menos vivia em pecado, pois separou-se a si mesmo por amor a causa de Cristo. Além do mais, Paulo padecia de uma enfermidade terrível que o acompanhou ao longo da vida e que Deus não o libertou dela como comprova-se em II Coríntios 12.8-9: “Por causa disso três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. Então ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza.” Romeiro (2007, p. 53) a esse respeito expõe: O apóstolo Paulo escreveu a Timóteo, aconselhando-o a tomar um pouco de vinho devido às freqüentes enfermidades de seu estômago (1Tm 5.23). Em outra carta, Paulo diz ter deixado Trófimo doente em Mileto (2Tm 4:20). Ele fala ainda de um problema pessoal acerca do qual orou a Deus três vezes para que o livrasse dele, e a resposta do Senhor foi: “A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza”(2Co 12:7-10). Diante do exposto acima, observando-se, o ministério de Paulo, vê-se que ele manifestou inúmeros milagres, inclusive os seus lenços curavam os enfermos. Será que Paulo só não tinha fé para curar-se a si mesmo? Será que ele não desejava ver Timóteo ou Trófimo curados? É óbvio que não, pois Paulo tinha fé perfeita em Jesus Cristo, mas submeteu-se em todos os momentos a vontade de Deus, pois ele sabia que sua vontade era perfeita como afirmam as Escrituras em Romanos 12.2 que diz: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” Assim, o que se percebe ao longo das escrituras é que os preceitos de Deus não se baseiam em abundância de víveres ou em saúde inabalável, como acreditam os teólogos da confissão positiva, mas na fé que se submete a determinação do plano de Deus para a humanidade. Na atualidade, esses preceitos da prosperidade e cura pregados pela confissão positiva têm se propagado facilmente nas igrejas cristãs pós-modernas devido a ansiedade do homem em conquistar as riquezas materiais e saúde perfeita do corpo para desfrutar delas renegando, assim, a segundo plano a busca pela salvação de sua alma. A propagação desse tipo de evangelho pregado na atualidade pode ser combatida pelas Escrituras Sagradas em conformidade com o texto de Mateus 6.19 que diz: “Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam nem roubam; porque onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.” Veja que as Escrituras recriminam a atitude de se colocar no coração a busca pelas riquezas, porque essas coisas são transitórias, ou seja, passageiras; portanto, deve-se buscar a única coisa que é eterna que a salvação. Desse modo, não se deve andar ansioso pelas coisas materiais como disse Jesus na Bíblia em Mateus 7.25: “Por isso vos digo: Não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que as vestes?” Nessa passagem, Jesus está instruindo os cristãos a colocarem sua confiança em Deus e não nas coisas que se pode conquistar ao longo da vida, pois o homem só pode dar conta das preocupações que surgem a cada dia. Isso pode ser confirmado através da passagem bíblica de Mateus 7.34 que diz: “Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia seu próprio mal.” Outro pressuposto da confissão positiva discordante das Escrituras é o fato de seus teólogos afirmarem que receberam uma revelação divina dos ensinamentos que propagam. Pode-se contestar essa afirmação com base em Gálatas 1.8 que diz: “Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema.” Nessa perspectiva, qualquer pregação que seja discordante do evangelho de Jesus Cristo, mesmo que seja recebida por um anjo vindo do céu, seja considerada maldita, portanto, os preceitos pregados pela confissão positiva devem ser rejeitados por discordarem do evangelho de Cristo e, ainda, de acordo com as Escrituras Sagradas, seja considerado maldito. Além do mais, as profecias encerraram-se em João como está exposto em Mateus 11.13: “Porque todos os profetas e a Lei profetizaram até João.” e que pode ser confirmado em Lucas 16.16a que diz: “A Lei e os Profetas vigoraram até João”. Portanto, qualquer revelação que não esteja contida na Bíblia não tem procedência divina, pois todo pregador deve profetizar tendo como base o que já foi revelado por Deus nas Escrituras Sagradas por meio do Espírito Santo. É necessário também contestar a “fórmula da fé” que a confissão positiva tem propagado, que afirma que para se conseguir qualquer coisa faz-se necessário seguir quatro passos: dizer a coisa; fazer a coisa; receber a coisa e contar a coisa. O grande erro dessa fórmula da fé é que ensina os cristãos a crerem que tudo que eles quiserem obter só depende deles, ou seja, faz eles acreditarem que, independentemente de Deus, tudo o que quiserem receberão, pois para conseguirem tudo o que desejam só precisam praticarem esses quatro passos. Essa independência deles de Deus é tão visível que eles orientam os cristãos a não orarem segundo a vontade de Deus, pois confiar os pedidos a vontade de Deus para eles significa ausência de fé. Esse tipo de prática de fé é infundada, porque a fé não é um dom que o homem possa exercer independe de Deus, pois ela é uma dádiva da graça de Deus como está expresso em Efésios 2.8 que diz: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isso não vem de vós, é dom de Deus.” Assim, esse tipo de crença é totalmente discrepante dos ensinamentos de Jesus, que ensina os cristãos a confiarem em Deus e a dependerem inteiramente de sua vontade, visto que a fé é dada por Deus. Outro preceito totalmente errôneo professado pela confissão positiva é a afirmação de que o homem é a encarnação de Deus assim como Jesus o foi. Eles afirmam que o homem não tem Deus dentro de si, mas que o homem é a própria encarnação de Deus. Esse ensinamento contrária a doutrina bíblica que versa que o homem foi criado a imagem e semelhança de Deus como vê-se em Gênesis 1.26a que diz: “Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança;”. Primeiramente, não se pode considerar o homem a encarnação de Deus, pois a bíblia não afirma isso, as escrituras afirmam que o homem foi criado a imagem e semelhança de Deus, ser semelhante não quer dizer igual, mas parecido. A prova de que o homem não pode ser encarnação de Deus é que ele pecou e perdeu até a característica de ser semelhante a Deus após a queda de Adão e com a prática do pecado tornou-se iníquo como está expresso em Salmo 51.5 que diz: “Eu nasci na iniqüidade, e em pecado me concebeu minha mãe.” Pelo exposto, vê-se que o homem não pode ser considerado encarnação de Deus, pois ele foi concebido em pecado, continua pecando e, por conseguinte, está destituído da glória de Deus como Paulo explana em Romanos 3.23 que diz: “Pois todos pecarem e carecem da glória de Deus.” Como seres destituídos da glória de Deus podem ser considerados a encarnação do próprio Deus? Diante de tudo que foi exposto acima, conclui-se que esse evangelho disseminado pela confissão positiva de que todo cristão tem que ser próspero e gozar de saúde perfeita, bem como de que os cristãos são a encarnação de Deus, destrói os fundamentos da igreja cristã pós-moderna, pois suas crenças enfatizam o ter ao invés do ser. Esse ensinamento abala a confiança dos cristãos em Deus, visto que os leva a crer que são capazes de conquistar o que quiserem independente de Deus, ou seja, incute neles a confiança de que podem conseguir algo por suas próprias forças, abalando, assim, a confiança do homem de depender inteiramente de Deus. Além do que, destrói a fé perfeita de se servir a Deus independente das circunstâncias ou do que Ele possa oferecer. O evangelho da auto-ajuda é outra doutrina discordante dos ensinamentos bíblicos que foi abordada no presente trabalho e que será retomada agora, no presente capítulo. Esse tipo de doutrina mina o alicerce da igreja cristã pós-moderna, pois seus ensinos são fundamentados na psicologia, arruinando, assim, a fé dos cristãos no que concerne a suficiência da Bíblia. Na atualidade, esse evangelho da auto-ajuda tem se propagado com muita facilidade nas igrejas cristãs, pois a maioria dos evangélicos aceita a psicologia como ciência e, portanto, a consideram capaz de auxiliar o homem cristão quanto as suas necessidades emocionais, mentais e comportamentais que não podem, segundo eles, serem resolvidas somente a luz da Palavra de Deus. O grande problema desse tipo de evangelho permeado de princípios da auto-ajuda é que introduz na igreja cristã a idéia de que o homem tem que ter amor-próprio, auto-estima, autovalorização, auto-imagem e auto-realização, ou seja, leva o cristão a centralizar-se na sua própria pessoa e nos seus interesses, tornando-o um ser individualista, pois há uma valorização do “ego” da pessoa, o que contrária os ensinos bíblicos que postulam que o homem deve colocar em Deus a sua confiança e não em si mesmo como verifica-se em Provérbios 3.5 que diz: “Confia no Senhor de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento.” Esse tipo de ensino, que se centraliza na pessoa humana, destrói o fundamento da igreja cristã pós-moderna, pois exclui Deus do centro da vida humana, levando, desse modo, o homem a crer que pode resolver todos os seus problemas sozinho, retirando, assim, a dependência humana de Deus e o anseio de buscá-lo. Essa facciosa crença na auto-suficiência humana constitui-se em um problema sério para os que seguem essa doutrina, pois levará essas pessoas a desesperança quando não conseguirem resolver seus problemas, visto que para elas as soluções encontram-se em si mesmas. McMahon, no artigo A Psicologia Predita na Profecia, publicado na revista Chamada da Meia-noite, nº 6, Ano 38, afirma que: Se as soluções não se encontrarem dentro do ego, o homem sem Deus não tem mais a quem recorrer, e, conseqüentemente, não há esperança para a humanidade. Mas, hoje, em dia, os psicoterapeutas nos garantem que a cura para os males da humanidade de fato se encontra no íntimo do ser humano.[...] Logo, esse ensinamento da psicologia contraria o principal pilar do cristianismo que é a confiança em Deus, pois constitui-se numa heresia de proporções imprevisíveis para a igreja, visto que leva a humanidade ao desespero e, até mesmo, a descrença, quando não conseguir alcançar seus objetivos por si mesma. A psicologia, nessa perspectiva, não resolve os problemas sociais do homem, pois não encerra em si mesma as respostas para os seus conflitos interiores, visto que ela pode até ensinar o homem a lidar com seus conflitos, no entanto, não se constitui na resposta definitiva dos problemas da humanidade que se encontra em permanente duelo interior entre os anseios da sua carne e suas limitações. Portanto, depreende-se que a busca do cristão por esses conceitos é infrutífera, já que os dilemas da alma humana não podem ser resolvidos cientificamente por serem resultados dos estados da consciência humana. Além do mais, esse tipo de crença na auto-suficiência humana é totalmente refutada pela Bíblia em Jeremias 17.5: “Assim diz o Senhor: Maldito o homem que confia no homem, faz da carne mortal o seu braço e aparta o seu coração do Senhor!” Portanto, quando o homem busca em si mesmo a solução de todos os problemas, sejam mentais, emocionais ou comportamentais, com certeza acabará se frustrando, pois não possui em si a capacidade de resolver problemas de tal complexidade que só podem ser resolvidos por Deus. Há ainda que se ressaltar, que ao buscarem auxílio nos conceitos da psicologia, os disseminadores do evangelho da auto-ajuda incorrem no erro de levarem os cristãos a crerem noutra fonte de fundamento doutrinário que não seja a Bíblia, o que contrária a crença cristã fundamental de que ela é autorizada, inerrante e suficiente para servir de parâmetro para o desenvolvimento de uma vida cristã saudável. McMahon (2007, p. 16-17) expõe que: A psicoterapia vendeu para a Igreja a mentira de que a psicologia pode ser utilizada numa integração com a Bíblia. Isso devia ser uma vergonha para qualquer crente prevenido. Uma vez que a psicologia e a Bíblia são fundamentalmente antagônicas, deveria ser óbvio que não pode haver uma integração legítima entre os ensinamentos de ambas. Além disso, se a Bíblia, que é o “Manual do Fabricante”, não é suficiente para tratar de “todas as coisas que conduzem à vida e à piedade”, os seres criados por Deus devem buscar o bem estar mental, físico e comportamental em outra fonte. Mas, se o precisam buscar em outra fonte, então a alegação de que a Bíblia é autorizada, inerrante e suficiente também é falsa. Assim, não se admite que os cristãos busquem em outra fonte, que não seja a Bíblia, os fundamentos para seu pleno desenvolvimento mental, físico e comportamental, visto que ela é considerada a instrução do Criador para suas criaturas, como se vê em 2Timóteo 3.16 “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, afim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.” Além do mais, o homem não pode basear-se na psicologia como fonte para resolução de seus problemas, visto que ela contraria a doutrina bíblica. Há que se falar, ainda, que o ensino da psicologia, que centraliza o ego humano, o faz baseando-se no princípio de que o homem é bom, constituindo-se, assim, noutro preceito que contraria os pressupostos bíblicos que afirmam justamente o contrário. Observe o que McMahon (2007, p.14) afirma sobre o assunto: A substituição de Deus pelo ego humano leva ao dogma central da religião da psicologia, a saber: o ser humano é inerentemente bom. Se a bondade inata não residir no cerne mais profundo da natureza humana, segue-se que a psicoterapia é uma prática inútil. Eis a razão: se o ser humano possui uma natureza pecaminosa, como a Bíblia demonstra, é impossível que consiga mudar por si mesmo. Em outras palavras, se sou inerentemente mau, eu sempre serei mau, visto que não há nada dentro de mim que me capacite a mudar. Contudo, se sou inerentemente bom, mas enfrento problemas em meu viver, ao fazer uso de vários métodos ou técnicas psicológicas, eu deveria ser capaz de extrair, utilizar ou perceber essa bondade inata para, dessa forma, curar ou solucionar os problemas que me afligem. Todos os “egocentrismos” psicoterapêuticos, a partir do amor-próprio para a auto-estima, à auto-imagem, à autoconcretização, à auto-realização – até chegar à autodivinização – são atribuídos com base na bondade intrínseca da natureza da pessoa. Pelo exposto, conclui-se que, para que a idéia da psicologia de que o homem pode mudar por si mesmo seja válida, faz-se necessário acreditar que a natureza humana é boa para que suas práticas o capacitem a mudar. No entanto, a Bíblia afirma em Gênesis 6.5: “Viu o Senhor que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração.”, desse modo, de acordo com a perspectiva divina, a natureza humana é continuamente má, portanto, o homem não tem capacidade de mudar a si mesmo, ou seja, de encontrar soluções no seu interior para as adversidades da existência humana, assim, é necessário o homem buscar em Deus a transformação de que ele necessita, visto que Deus é o único que é bom e perfeito. Outro erro cometido pelos teólogos da auto-ajuda é não pregarem a inteireza da mensagem bíblica, utilizando apenas os textos bíblicos que consideram adequados as suas pregações exclusivamente motivacionais, contrariando a Palavra de Deus que diz em Atos 20.27: “Porque jamais deixei de vos anunciar todo o desígnio de Deus." Logo, a pregação incompleta do evangelho vai minar o fundamento da igreja cristã pós-moderna, pois os seus seguidores não terão domínio da inteireza da mensagem bíblica tornando-se influenciáveis por qualquer doutrina que não seja condizente com a Escritura como se pode constatar em Efésios 4.14 que diz: “Para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para o outro, e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha de homens, pela astúcia com que induzem ao erro.” Dessa forma, constata-se que a Bíblia deve ser pregada na sua inteireza para que os cristãos não venham a ser influenciados por doutrinas errôneas por desconhecimento da Palavra de Deus. Diante de tudo que foi exposto acima, conclui-se que o evangelho da auto-ajuda desenvolve na igreja um princípio danoso cujo resultado leva os cristãos a distanciarem-se dos ensinamentos de Cristo, portanto tornando vão toda a apologética desenvolvida desde o início do Cristianismo para defender a fé professada por Cristo e seus apóstolos. Portanto, o que se percebe é que a aceitação dessas doutrinas falaciosas na Igreja Cristã Pós-moderna demonstra um período de grave declínio espiritual, pois a medida que os cristãos têm pouco conhecimento a respeito de Deus aceitam doutrinas errôneas por desconhecerem a verdade. Assim, o Cristianismo que é pregado na atualidade é desprovido de profundidade bíblica, sendo mais nocivo do que o de qualquer outra época histórica.